5 motivos que mostram o racismo no pornô por trás das câmeras

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Pense em uma etnia, um tipo de corpo e um ato sexual. As chances de que existam milhares de vídeos pornô com os elementos que você pensou são imensas.

Infelizmente, porém, quando você olha atentamente para a indústria pornô, você descobre que, apesar de toda a conversa, os envolvidos podem ser incrivelmente racistas. O site Cracked conversou com a ex-atriz pornô Nyomi Banxxx, afro-americana, e a acadêmica Dr.ª Mireille Miller-Young, que estuda o ramo da pornografia, sobre estas questões.

Cinco itens foram elencados pelas entrevistadas. Confira:

5. Atrizes brancas podem cobrar extra por gravarem pornô com pessoas negras

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(Foto: Blacked / reprodução)

Nyomi Banxxx, que já atuou em quase 200 filmes adultos, disse: “as mulheres negras [na pornografia]estão na parte inferior da pirâmide”. Dr.ª Miller-Young complementa: “em alguns casos, atrizes brancas cobram uma ‘taxa inter-racial’ para contrariar uma eventual desvalorização que elas possam enfrentar devido ao seu envolvimento no mercado pornô inter-racial ou porque dizem que os homens negros têm tamanhos de pênis que requerem muito mais trabalho intensivo da sua parte”.

Isso deveria fazer sentido, certo? Se você mudar de casa, eles cobram mais por uma mansão de cinco quartos do que por um pequeno estúdio minúsculo…

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Dr.ª Mireille Miller-Young (Foto: Independent / reprodução)

No entanto, trata-se de apenas uma parte de um problema maior com a escala de pagamento na pornografia. Segundo Dr.ª Miller-Young, atrizes afro-americanas recebem cerca de metade a três quartos do que atrizes brancas ganham pelo mesmo trabalho. Esta é a questão mais dolorosa para as atrizes negras nos negócios adultos.

“A desigualdade salarial é tanto de longa data quanto vergonhosa”, disse Dr.ª Miller-Young. “Quando produtores percebem que atrizes ficam ‘agressivas’, em função da remuneração e das condições de trabalho, a substituição é fatal. A indústria pornô trata todos os atores como descartáveis, mas atrizes negras são tratadas como as mais descartáveis de todas”, afirmou.

Mesmo Misty Stone, uma estrela pornô afro-americana de sucesso – às vezes descrita como a “Halle Berry da indústria pornô” – pode receber menos do que suas colegas de trabalho brancas.

4. Atrizes brancas podem recusar sexo com uma pessoa negra, mas o contrário é proibido

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(Foto: Blacked / reprodução)

Uma vez, Nyomi Banxxx estava para filmar uma cena com um ator branco que, de repente, anunciou que não poderia gravar com ela por ser negra. Ele afirmou, ainda, que a namorada dele estava preocupada, pois fazer cenas com “meninas do gueto” poderia alienar os fãs dele.

A parte mais triste é que isso não foi uma surpresa para Banxxx. “O racismo é galopante na pornografia. Você não pode ficar longe dele. Ele está lá. Sempre esteve lá, especialmente com os afro-americanos”, afirmou.

Dr.ª Miller-Young concorda. “De acordo com artistas negros na indústria de entretenimento adulto, atores brancos, por vezes, se recusam a trabalhar com negros. Uma vez, um artista negro recebeu dinheiro para pegar um táxi e disseram para que ele deixasse o set de filmagem porque uma atriz branca estava desconfortável por trabalhar com um ator afro-americano”, disse.

O oposto acontece? De acordo com as entrevistadas, a resposta é “não”.

3. Atores ‘miscigenados’ se promovem como brancos

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Bridgette B. (Foto: divulgação)

Segundo Dr.ª Miller-Young, não existe uma categoria de “brancos” no pornô. “É a regra”, diz. Por isso, não há necessidade de rotular esse segmento, a menos que você esteja forçando uma característica normalmente étnica que uma menina branca pareça ter (“meninas brancas com bundas incríveis”) ou um vídeo com uma atriz bi-racial, caso em que você aparentemente tem que destacar que a atriz é bastante branquela.

A atriz pornô Bridgette B. (foto) nasceu na Espanha e, geralmente, se autointitula como uma atriz espanhola ou latina. No entanto, muitos de seus vídeos tentam tanto convencer os telespectadores de que ela é apenas uma menina branca típica de Nebraska, porque as caucasianas transando é algo normal, embora pareça pornô com Latina seja algum fetiche estranho. É por isso que alguns de seus vídeos mais populares são intitulados “Garotas brancas com bundas grandes” ou “Grandes peitos brancos e grandes caras negros”.

Você vê exatamente a mesma coisa com Alexis Texas e Kristina Rose. Apesar das atrizes sendo, respectivamente, parte porto-riquenha e parte mexicana, sua filmografia inclui títulos como “Bundas brancas apertadas 3”, “Universitárias brancas com bundas espertas”, “Reverencie minha grande bunda branca”, entre outros.

2. “Optar” pelo negro ainda é um movimento de risco na carreira pornô

O ditado americano “once you go black, you never go back” (algo do tipo “quando você experimenta o negro, você nunca volta”) é um pouco mais intenso na indústria pornô. Nesse cenário, a frase diz: “uma vez que experimenta o negro, você nunca voltar a ser tão popular quanto você era porque você deixou seus fãs putos”. A maioria da pornografia é destinada a homens brancos que, aparentemente, não gostam quando seu vídeo se desvia do branco e familiar.

Nyomi Banxxx afirma: “pornô inter-racial não é bom para a carreira. É ruim para a sua base de fãs. É o que algumas atrizes dizem”.

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Nyomi Banxxx (Foto: divulgação)

Dr.ª Miller-Young elabora: “atrizes brancas recusando-se a fazer cenas com homens negros fazem isso porque lhes foi dito, pelos seus produtores ou agentes, que isso irá diminuir o seu valor ou capital erótico. Na indústria pornô, esses produtores e agentes argumentam que os fãs acreditam, muitas vezes, que as mulheres brancas ficam contaminadas quando têm relações sexuais com homens negros”.

Dentro da indústria pornográfica, enquanto os seus parceiros também forem brancos, atrizes pornôs podem transar com todos e ainda serem consideradas puras – não importa com quantas impurezas ela tenha lidado.

1. Racismo no pornô gera muito dinheiro

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(Foto: Blacked / reprodução)

De acordo com o site Adult Empire, seis de seus 10 melhores DVDs pornô incluem filmes inter-raciais. Então, por que o negócio da pornografia discrimina pessoas de cor quando elas são, obviamente, um grande sucesso com o público?

Infelizmente, a pornografia inter-racial pode ser tão popular porque ser considerada um “desvio”, algo fora da norma. A emoção do proibido é uma grande parte do apelo da pornografia. Há uma razão para, por exemplo, o idioma mais utilizado para pesquisas de sexo gay ser o árabe.

Nos Estados Unidos, “ebony” (termo que significa “negro(a)”, em menção à árvore ébano) é o segundo termo mais procurado no Mississippi, o terceiro em Carolina do Norte e o primeiro em Columbia. Washington é o único lugar ao norte da linha Mason-Dixon onde “ebony” aparece entre os três primeiros termos pesquisados. Cada um desses estados manteve as leis anti-miscigenação (também conhecidas como leis que proíbem pessoas negras e brancas de transarem) até que o Supremo Tribunal obrigou-os a parar, em 1967.

Nyomi Banxxx explica: “a pornografia é um tabu, mas quando você mistura raça com isso, torna-se uma ‘pena dupla’. As pessoas podem pensar que fazer sexo é ruim, mas fazer isso com homens negros?! Isso é uma ‘vergonha dupla’ para elas”.

Dr.ª Miller-Young elabora: “a pornografia retrata a violação dos limites, quer se trate de classe, idade, status social, relações familiares, normas de gênero ou linhas raciais. Enquanto sociedade, somos fascinados com transgredir as paredes que erguemos entre nós. A pornografia está, de certa forma, sendo muito honesta sobre este dilema, mas muitas vezes escolhe o caminho mais fácil: lucrar com o fruto proibido da forma mais simplista possível”.



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