8 Maneiras nas quais Astronautas Poderiam Morrer em Viagens para Marte

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Há alguma coisa a respeito do cosmos que provoca uma mistura de medo e de terror de arrepiar em todos nós (Astrofobia – O medo do espaço), e, enquanto geralmente nos sentimos seguros e felizes olhando para o céu a noite daqui da Terra, algumas almas corajosas visam chegar em Marte nas próximas décadas.

Mas nossos medos são baseados na realidade?

Bom, gostemos ou não, o universo é inteiramente desconhecido para nós. Então, ao que parece, viajar através do nosso sistema solar em um pedaço de lata e esbarrar com um planeta alienígena representa, de fato, um perigo de vida, e há muitas, muitas outras maneiras nas quais astronautas podem (e possivelmente irão) morrer em suas expedições. Depois de ler isso, você vai querer cancelar sua passagem só de ida deste planeta.

Aqui estão apenas algumas delas…

8. A Decolagem

foguete espacial
Citando Mark Watney em Perdido em Marte: “O que um astronauta da Apollo faria? Ele beberia três doses de uísque, dirigiria seu Corvette até a área de lançamento, então voaria para a lua em um módulo de comando menor que meu jipe. Cara, aquele pessoal era legal”.

Decolar do nosso humilde e feliz planeta é algo reservado apenas para quem se garante.

Primeiro, há milhares de litros de explosivos entrando em ignição em apenas alguns segundos. Mas não é apenas isso, tem a velocidade vertical necessária para sair do nosso planeta. A velocidade de saída da Terra são esmagadoras 6,96 milhas por segundo (ou 11,2 km). Você leu corretamente, por segundo. Astronautas também se submetem a aproximadamente uma força de 3G, fazendo aquele seu quilinho extra que ainda sobrou do natal pesar 3 vezes mais.

Por que isso é mal sinal?

O homem-do-espaço entra em uma caixa de metal com alguns colegas igualmente corajosos. O homem-do-espaço senta-se em cima de algumas centenas de milhares de litros de explosivos e se acomoda confortavelmente. Ele então é arremessado a quase 7 milhas por segundo para fora do Planeta Terra, torcendo para que os engenheiros tenham tirado boas notas na faculdade e não tenham esquecido de dividir dos dois lados em alguns cálculos.

Recebendo treinamento adequado, a força G não irá matar o astronauta. Nem o barulho, apesar que provavelmente ele também não será música para seus ouvidos.

Entretanto, o desastre de 1986 da Challenger e as consequentes mortes de seus 7 tripulantes fornece um análogo pavoroso do que poderia acontecer quando se tenta deixar a nada amigável atmosfera terrestre.

Por melhor que seja nossa tecnologia de propulsão, ela ainda é essencialmente uma explosão controlada e prolongada. Um pesadelo para os técnicos de segurança do trabalho.

7. A Imensidão do Espaço

vastidao do espaco
Marte é longe. Tipo muito, muito longe.

É a nossa vizinhança mais próxima, mas quando falamos em coisas próximas em termos cosmológicos, estamos em uma escala completamente diferente. Então, embora acertar um alvo do tamanho de um planeta com uma nave com as dimensões de uma van pareça fácil, ainda mais se consideramos o que um jogador de futebol que recebe milhões faz, na verdade não é.

A Terra move-se a aproximadamente 66.500 milhas/hora (107.000 km) e Marte a aproximadamente 53.900 milhas/hora (86.900 km) ao redor do sol por trajetórias diferentes. Em sua configuração mais próxima, o Planeta Terra e Marte estão a 37.180.000 milhas de distância um do outro aproximadamente (59.840.000 km). Isso equivale a distância de mais ou menos 1.500 viagens ao redor do globo.

Um lançamento para Marte terá que levar todos esse fatores em consideração para acertar o destino.

Por que isso é mal sinal?

Em 1992, a sonda Mars Observer perdeu-se antes da sua chegada em Marte. Na década de 80, as sondas Phobos 1 e 2 perderam-se perto de uma lua homônima. Acidentes, tanto por falhas técnicas ou erros humanos, acontecem.

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Uma missão tripulada para Marte poderia sofrer o mesmo destino. Uma nave de pouso que errasse o alvo poderia tanto ficar à deriva indefinidamente nas profundezas do espaço ou ser atraída pela força gravitacional de um outro planeta, lua ou pelo próprio Sol. Qualquer uma dessas opções não seria o ideal, por assim dizer.

Vamos encarar, há uma razão para que os astronautas andem presos durante as caminhadas espaciais. A ideia de se perder através da imensidão do espaço não seria tão glamourosa ou divertida quanto a série Jornada nas Estrelas faz parecer.

6. A Radiação

radiacao
A não ser que você esteja falando com entusiastas do Peter Parker ou do Bruce Banner, ficar exposto à radiação não é um bom negócio.

Em geral, ela enfraquece ou quebra nosso DNA causando mutações celulares – o que leva a inúmeros tipos de câncer e doenças. Infelizmente, não é possível obter um sentido de aranha ou super poderes pela radiação.

Entretanto, por diversos motivos como a medicina moderna, tecnologias como viagens de avião, ou mesmo certas coisas relacionadas à comida, a radiação é uma grande parte da existência humana. Colocando em números, a maioria das pessoas normais como você ou eu podem ficar expostas a radiações no ambiente de aproximadamente 2,4 mSv por ano. Comparativamente, uma tomografia computadorizada apresenta 3 vezes esse valor em radiação, e, ainda assim, nós podemos viver felizes e saudáveis com essas quantidades.

Mas quanto uma viagem interplanetária de ida e volta para a superfície de Marte representaria, por assim dizer?

Absurdos e destruidores de DNA 780 mSV de radiação – essencialmente 325 anos de doses normais em uma fração de segundos.

Por que isso é mal sinal?

O que assusta é que, sem o ambiente acolhedor da atmosfera e da magnetosfera terrestre que nos mantém abrigados, esta dose de radiação possui níveis bem fatais. Na verdade, esta dosagem é tão alta que é aproximadamente 6-8 vezes o limite de segurança aprovado pela NASA a que uma pessoa de 35 anos do sexo masculino pode ficar exposta.

Para piorar as coisas, partículas solares contêm quantidades enormes de radiação e são extremamente imprevisíveis, deixando a dose que um astronauta recebe à sua própria sorte. A radiação é um obstáculo tão grande para uma viagem a Marte que alguns pesquisadores estimam que centenas de toneladas somente de material protetor podem ser necessários para manter os astronautas em segurança.

Alguém ai precisa de um traje de chumbo?

5. O Frio

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Apesar de Marte ser um de nossos vizinhos e ser relativamente quente se comparado com outros planetas, provavelmente os astronautas que forem para o planeta vermelho não precisarão levar seus biquínis aprovados pela NASA e seus filtros solares.

Sendo justo, os futuros colonizadores de Marte possuem indiscutivelmente melhores previsões do tempo do que os britânicos; com temperaturas de pico do verão no equador estimadas em agradáveis 20 graus Celsius durante o dia. Entretanto, uma coisa que o Reino Unido possui e, que Marte não, é uma atmosfera apropriada. Quando esfria durante a noite em Marte, o termômetro cai para congelantes -90 C. Tem planos de ir para o norte de Marte para apreciar a vista? Leve um casaco, estimativas apontam -225 C nos polos – apenas 48 graus mais quente que o zero absoluto, aproximadamente.

Por que isso é mal sinal?

Comparativamente a alguns dos outros obstáculos de uma missão para Marte, a temperatura é um dos mais fáceis de controlar, ao passo que nós, mamíferos, produzimos nosso próprio calor, felizmente. Entretanto, mesmo com nosso nível tecnológico, sempre é possível ocorrer problemas com os trajes espaciais ou com os abrigos. Com temperaturas de -90 C no equador e uma atmosfera pouco densa que não retém o calor, não demoraria muito para que uma pessoa morresse de frio.

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Piorando ainda mais a situação, água disponível em forma de gelo está mais presente à medida que os astronautas se aproximam dos polos (aqueles com -225 graus Celsius).

As opções são congelar até a morte ou ficar com muita, muita sede.\\

4. O Vácuo do Espaço

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Você não precisa assistir ou ler muita ficção científica para saber que se você ficar exposto ao vácuo do espaço, você passará por uns maus bocados.

Na verdade, escritores de ficção científica amam o conceito de vácuo. Como todos nós já vimos, mortes relacionadas ao vácuo geralmente partem desde explosões de partes do corpo até o congelamento instantâneo. Estranho o bastante é que o que aconteceria com uma pessoa exposta ao vácuo na realidade está relativamente bem documentado e é, também, bem diferente do que é retratado em Hollywood.

Mas, primeiramente, as boas notícias. Você definitivamente não se tornaria um picolé sabor astronauta. Para o calor poder deixar o corpo, geralmente é necessário algum meio pelo qual ele possa se irradiar, meio este que é praticamente inexistente no vácuo. Você também não explodiria. Todo aquele seu lindo tecido conjuntivo é forte o suficiente para manter todos os seus órgãos em perfeita segurança dentro do corpo.

Mas não fique tão confortável com a ideia de vácuo, você definitivamente terminaria morto, sem sombra de dúvidas. Porém, você morreria de maneiras diferentes e igualmente assustadoras.

Por que isso é mal sinal?

Quando inicialmente exposto ao vácuo, a falta de pressão fará com que todo o ar de seu corpo que esteja próximo a algum orifício saia de uma vez só sem pedir licença. Mas ainda assim, isso é bem melhor do que a opção número dois, ao passo que todo o ar que você de alguma forma conseguiu manter dentro do corpo irá instantaneamente expandir, causando a provável ruptura de órgãos vitais como os pulmões.

Em seguida, a humidade em áreas como a dos olhos e da língua irá começar a borbulhar e ferver, uma vez que a exposição à baixa pressão faz com que o ponto de ebulição diminua bastante.

A cereja do bolo? Felizmente, você provavelmente ainda estará vivo enquanto tudo isso estiver acontecendo. Levará longos 10-15 segundos, nos quais você se debate no vazio ao seu redor e busca por ar, antes que você finalmente venha a óbito por hipóxia.

Eu quase prefiro a alternativa da ficção científica – explodir em instantes.

3. O Desconhecido

marte alienigena extraterrestre marciano
Quem disse “o que você não conhece não irá te machucar” era um completo idiota e definitivamente não estava planejando uma missão para Marte.

Na realidade, a humanidade sempre teve medo dos mistérios de Marte. A partir da descoberta de linhas cruzando sua superfície, todos inferiram a presença de canais construídos por algum tipo de vida inteligente. Ou até mesmo em a Guerra dos Mundos, quando a humanidade foi subestimou o poder de outras formas de vida inteligente.

Nós temos medo do desconhecido.

Descobertas recentes indicaram cursos d’água e a presença de metano no planeta vermelho – ambos são sinais primordiais para a existência de vida. Poderíamos nós sermos os invasores alienígenas à existência de alguma outra forma de vida?

Por que isso é mal sinal?

Embora nós tenhamos vasculhado a superfície de Marte meticulosamente com sondas como a Curiosity e a Pathfinder, nós ainda apenas estamos engatinhando no vasto oceano de descobertas que é Marte.

Com a descoberta de cursos d’água e metano em Marte, a probabilidade encontrar formas simples de vida como bactérias aumentou substancialmente. Uma expedição humana a Marte mal estaria preparada para o que se poderia encontrar. Patógenos ou bactérias de Marte poderiam ser prejudicais a nós, do mesmo que um resfriado comum dizimou os invasores em a Guerra dos Mundos?

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Além disso, o que poderia ser encontrado no subterrâneo de Marte, longe da perigosa radiação solar?

Apesar das chances de se encontrar vida inteligente serem incrivelmente baixas, eu certamente não gostaria de ser a primeira pessoa a encontrar uma espécie subterrânea desconhecida de uma Cobra-de-Marte ou de uma Aranha-de-Marte.

2. O Colapso Psicológico

astronauta se arrastando perturbado mentalmente
Em submarinos, colapsos psicológicos de membros da tripulação estão listados como o segundo maior perigo em potencial, ficando atrás apenas de incêndios.

A tripulação de um submarino pode esperar por confinamento, falta de espaço próprio, condições claustrofóbicas, rotina monótona e uma constante responsabilidade de impedir destruição e guerras. Infelizmente, astronautas em um voo de mais de 180 dias para Marte podem esperar condições semelhantes.

Com risco constante de morte (pelos muitos motivos enumerados neste artigo), assim como por causa de um ambiente com qualidade de vida limitada, o colapso da saúde mental ou até mesmo motim são ameaças bem reais.

Por que isso é mal sinal?

Ao passo que testes foram feitos para entender mais a fundo como prevenir problemas com a saúde mental, uma missão para Marte é praticamente um passo em direção ao abismo. A viagem inteira de ida e volta pode durar mais ou menos 3 anos e o fato é que nós não temos nenhum precedente similar que chegue perto dessa situação.

Medidas preventivas como a seleção correta da tripulação, acompanhamento psicológico e condições adequadas de habitação procuram combater eventuais problemas de saúde mental. Entretanto, todas as medidas preventivas podem ser inúteis e ineficientes quando confinamento e perigo real de morte são aspectos diários da vida do astronauta.

Em um pedaço de lata em algum lugar da escuridão do espaço, o caos poderia se instaurar.

1. O Colapso Físico

corpo debilitado marte marciano espaco
Com a medicina moderna e a segurança diária que a vida de primeiro mundo nos dá, algumas vezes nos pegamos pensando que somos indestrutíveis. Gostemos ou não, humanos são animais que necessitam de um ambiente bem específico. Apesar do nosso nível tecnológico, exploração espacial envolve colocar pessoas saudáveis em circunstâncias bem insalubres.

Uns bons bilhões de anos de evolução e cruzamento de espécies nos levou a sermos muito adaptados e dependentes das características de nosso aconchegante planeta azul. Nós humanos consideramos coisas como a gravidade, uma atmosfera respirável e a disponibilidade de recursos para nosso sustento como primordiais. O espaço, para qualquer finalidade, não fornece nenhuma dessas coisas.

Por que isso é mal sinal?

Mesmo em viagens de curta duração, efeitos físicos importantes são notados. Você pode esperar pela perda de 30% dos músculos de suas pernas a das costas em apenas alguns meses, na medida em que seus ossos se tornam frágeis uma vez que se perde 1-2% de densidade todo mês. A falta de gravidade faz com que o coração também não seja requisitado para trabalhar corretamente e, gradualmente, torna-se fraco e com um comportamento anormal. Consequentemente, se movimentar torna-se mais difícil e o sangue falha na hora de coagular corretamente, fazendo com que qualquer corte pequeno possa tornar-se fatal.

Até mesmo o seu sistema imunológico falha subitamente. Uma quantidade enorme de viroses incubadas como a herpes aparecem, mesmo se ela não era um incômodo na Terra.

E uma vez que você volta para casa, os problemas não desaparecem tão rapidamente. Recentemente, o astronauta Scott Kelly permaneceu um ano na Estação Espacial Internacional. Ele sentiu coisas que ele não esperava, como uma intensa sensação de queimação na pele ao tocar substâncias das quais ele ficara afastado por 12 meses.

Tudo isso em uma escala de tempo que varia de 6 meses a um ano. O que aconteceria quando se multiplica esse tempo por 3?

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Discussion2 Comentários

  1. Uma observação, o zero absoluto e 273 Kelvin e não Celsius, então 225 na verdade esta em Celsius e não se aproxima do zero absoluto.

    • Peter Jordan

      Você está errado. Zero absoluto é o zero na escala Kelvin que equivale é -273 graus na escala Célcius. Então sim, se aproxima do zero absoluto.

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