Afinal, a China quer dar início a uma nova corrida espacial?

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Nos últimos dias, a China se tornou apenas o terceiro país a pousar uma sonda na Lua. No entanto, os chineses entraram para a história por serem os primeiros a fazer isso no chamado Lado Oculto da Lua, que nunca está visível para nós aqui na Terra.

A sonda, chamada de Chang’e-4, também não deixou de ser uma forma simbólica de mostrar o crescimento do programa espacial chinês e o potencial que ele possui para os próximos anos. E isso pode afetar sua relação com as demais nações do planeta e pode até mesmo atingir os planos do presidente americano, Donald Trump, que quer ver os Estados Unidos novamente à frente de todos nesse sentido.

Sabemos que durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética travaram a famosa corrida espacial. Os soviéticos enviaram o primeiro homem ao espaço, enquanto que os americanos enviaram astronautas para a Lua. Mas será que esse sentimento pode ressurgir por conta das ambições chinesas?

As conquistas chinesas no espaço

Da mesma forma que os Estados Unidos e Rússia, a China começou suas atividades com o desenvolvimento de mísseis balísticos nos anos 50. Apesar de algumas ajudas dos soviéticos, os chineses desenvolveram seu programa espacial por conta própria.

A China conseguiu lançar seu primeiro satélite já nos anos 70. Por conta disso, planos de enviar uma missão tripulada por astronautas foram deixadas de lado justamente em prol do lançamento de satélites com aplicações comerciais. Em 1978, Deng Xiaoping assumiu o poder e deixou de claro que o país não tinha intenções de se envolver em uma corrida espacial, e que a ideia era focar no lançamento de sondas e satélites para as mais variadas aplicações.

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Mas isso também não impediu os chineses de terem grandes ambições para o espaço. Em 1992, o governo chegou a conclusão de que ter uma estação espacial seria um grande sinal e uma fonte de prestígio no século 21. Assim, decidiu retomar o programa com viagens tripuladas, o que resultou no desenvolvimento da nave Shenzhou. O primeiro astronauta chinês da história foi Yang Liwei, que foi para o espaço em 2003. Desde então, a Shenzhou levou 12 pessoas para a órbita baixa da Terra, incluindo dois para a estação Tiangong-1.

E os chineses também já desenvolveram missões com fins científicos, como foi o caso da Chang’e-4. Mas a primeira missão lunar foi responsabilidade de sua “irmã”, a Chang’e-1, que orbitou a Lua em outubro de 2007. Para o futuro, a China planeja lançar uma nova estação espacial, uma base lunar e missões que coletem amostras de Marte.

Nova corrida espacial?

A principal característica do programa espacial chinês, em comparação com os primeiros passos dos programas americano e russo, é que ele anda a uma velocidade um pouco mais lenta. E por conta dos segredos envolvidos, ninguém sabe precisar qual será o próximo passo dos chineses. Mas já é possível dizer que não está muito atrás de seus concorrentes.

Em termos de aplicações militares, a China já mostrou habilidades impressionantes. Em 2007, fez um teste de míssil para destruir um satélite que não deu certo, e o objetivo foi bem sucedido. No entanto, isso criou uma nuvem de destroços que poderia destruir outros satélites. Se você assistiu ao filme “Gravidade”, vai entender muito bem os perigos disso. E em 2018, o Departamento de Defesa do país garantiu que o seu programa especial “continua amadurecendo rapidamente.”

Mas apesar disso, os Estados Unidos e outros países não têm interesse em cooperar com os chineses por questões de segurança. Inclusive, os americanos aprovaram uma lei, em 2011, que proíbe o contato com oficiais espaciais da China. Seria esse o indício de uma corrida espacial entre os dois países?

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De certa forma, a resposta é sim e não, ao mesmo tempo. Alguns oficiais americanos já mostraram um otimismo cauteloso em uma possível cooperação com os chineses e não acreditam que existe uma nova corrida espacial.

Jim Brindenstine, um dos administradores da Nasa, se encontrou recentemente com o chefe do programa espacial chinês em um conferência na Alemanha e discutiram ideias para que as duas nações possam trabalhar juntas no futuro.

No entanto, a presença militar no espaço pode, sim, aumentar uma possível competição. Tanto que Donald Trump, recentemente, lançou a ideia de lançar uma Força Espacial para lidar com possíveis ameaças da Rússia e… da China.

De qualquer forma, é evidente a evolução dos chineses nesse aspecto. Tanto no livro quanto na adaptação para o cinema de “Perdido em Marte”, a Nasa pediu ajuda da China para resgatar o astronauta Mark Watney, que está sozinho no Planeta Vermelho.

Sabemos que a concorrência e a competição geram, por consequência, avanços na tecnologia, e a ciência e a humanidade podem se beneficiar disso, como a tão sonhada exploração espacial. Em outras palavras, mesmo que a China decida entrar em uma “declarada” corrida espacial, nem todas as consequências serão negativas.

Fonte: Live Science



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