Como a Nasa coletará amostra de Bennu, o menor asteroide já explorado

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A sonda Osiris-Rex, enviada pela Nasa, chegou com sucesso ao asteroide Bennu na última segunda-feira (3), que está a 130 milhões de quilômetros do nosso planeta. O grande objetivo desta missão é coletar amostras do local e enviá-las de volta para Terra, onde serão conduzidos alguns estudos.

Na realidade, Osiris-Rex está a menos de 20 km de distância de Bennu, mas a sonda está seguido o asteroide, que é o menor já explorado pela Nasa, ao invés de estar em sua órbita. A inserção orbital deve acontecer apenas no dia 31 de dezembro, após Osiris-Rex realizar uma série de voos para ficar a apenas 7km de Bennu.

Durante esses voos, a sonda também já conduzirá alguns estudos no asteroide, para que os astrônomos consigam precisar sua massa e seu formato. E no fundo, isso tem outro objetivo.

“É muito importante para nós perder algum tempo coletando essas informações para ter certeza de que nossas suposições sobre a órbita estão corretas, para reduzir o risco de uma inserção imprecisa” disse Heather Enos, da Universidade do Arizona, nos EUA, que tem envolvimento com o projeto.

E essa inserção orbital será outro desafio enorme. Para iniciantes, nenhuma nave ou sonda ficou circundando um objeto tão pequeno quanto Bennu. A Osiris-Rex ficará a apenas 1 km de distância do asteroide em 31 de dezembro.

“Vamos estabelecer um recorde da distância mais próxima em que uma nave orbitou um objeto tão pequeno. Então, não imagine que isso é pouca coisa, precisamos fazer as coisas de uma forma metódica”, disse Enos.

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E o último dia do ano será bem ocupado para a Nasa, já que na mesma data, a sonda New Horizons se aproximará de Ultima Thule, objeto que se encontra dentro do famoso Cinturão de Kuiper.

Uma longa jornada

A Osiris-Rex, que custou 800 milhões de dólares, foi lançada ao espaço em 8 de setembro de 2016. Quase um ano depois, voltou ao nosso planeta para pegar um impulso e seguir sua viagem rumo a Bennu. No fundo, a sonda já percorreu em torno de 2 bilhões de km no total em sua jornada.

A sonda também coletará uma série de dados científicos nos próximos meses. Mas enquanto isso, os astrônomos estudarão a melhor forma dela se aproximar e pegar, ao menos, 60 gramas de material do asteroide Bennu.

Essa manobra para a coleta das amostras deve ocorrer apenas em julho de 2020. Se tudo der certo, a Osiris-Rex deixará Bennu em março de 2021 e deve retornar para a Terra em uma cápsula especial em setembro de 2023.

As partículas coletadas a partir de Bennu serão as maiores amostras celestiais levadas para a Terra desde as missões Apollo, quando os astronautas da Nasa trouxeram algumas rochas da Lua para estudo.

Pesquisadores mundo afora devem usar as amostras para encontrar pistas sobre os primórdios do nosso sistema solar, bem como descobrir o papel que asteroides ricos em carbono, como é o caso de Bennu, podem ter tido para iniciar a vida na Terra há bilhões de anos. Eles podem ter enviado água ou compostos orgânicos, que são essenciais para o processo.

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E essas amostras serão importantes para o futuro, já que cientistas estudam até hoje as rochas que as missões Apollo trouxeram da Lua.

Vários objetivos

A Osiris-Rex também possui uma série de vários outros objetivos a serem cumpridos.

Por exemplo, as informações coletadas pela sonda devem oferecer mais informações sobre asteroides semelhantes a Bennu, especialmente o potencial de nos oferecer algum tipo de recurso.

A Nasa sempre deixou claro que explorar os recursos presentes no espaço são de extrema importância para o dia em que a humanidade conseguir explorar melhor o Sistema Solar e o restante do universo.

Outro objetivo importante da Osiris-Rex é ajudar os cientistas a entender como que o aquecimento solar – ou mais precisamente, a emissão assimétrica da radiação solar que é absorvida – pode afetar a trajetória de asteroides pelo espaço. Essa é uma informação importante, pois pode melhorar nossa precisão sobre onde que rochas perigosas em potencial podem parar, de acordo com a equipe que acompanha a Osiris-Rex.

O próprio asteroide Bennu se encaixa nessa categoria. Existe uma pequena chance de ele atingir nosso planeta no final do século 22.

Trabalho em conjunto

A Osiris-Rex, que foi construída pela empresa aeroespacial Lockheed Martin, não é a única sonda que está explorando asteroides que estão próximos da Terra.

A Hayabusa2, enviada pelo Japão, já está orbitando a rocha Ryugu, que tem 900 metros de comprimento e tem o mesmo formato de diamante de Bennu, desde junho e já enviou minúsculas sondas para a superfície do asteroide.

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Essa missão também enviará as amostras coletadas de volta para a Terra. A sonda deve retornar para nosso planeta em dezembro de 2020.

As equipes da Osiris-Rex e Hayabusa2 já estão trabalhando em conjunto, seja na coleta de amostras, retorno para a Terra e análises subsequentes. Heather Enos já confirmou que a Nasa e a Agência Espacial Japonesa devem dividir as amostras coletadas pelas sondas.

“Acho que nós, das comunidades da ciência e exploração planetária, temos muita sorte de ter duas missões semelhantes ao mesmo tempo. Apesar das similaridades com a Hayabusa 2, nosso asteroide tem uma composição bem diferente. É algo intrigante e que será interessante de se explorar”, disse Enos.



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