Como sobreviver a uma explosão nuclear?

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Ultimamente, o mundo assiste, com certa tensão, aos testes de mísseis da Coreia do Norte, que já são capazes de viajar a distâncias intercontinentais e podem até carregar ogivas nucleares. Claro, os Estados Unidos não deixam barato e sempre procuram uma forma de responder às provocações dos norte coreanos.

Sabemos que o cenário de uma guerra nuclear entre as duas nações é algo muito improvável de acontecer. Mas você já imaginou o que é preciso fazer para conseguir sobreviver a uma explosão nuclear?

Confira abaixo o que é necessário fazer para conseguir sobreviver a um evento deste porte:

Ataques mais prováveis

Quando se fala de uma guerra nuclear, muitas pessoas já imaginam algo semelhante à epoca da Guerra Fria, no qual um cenário de destruição tomaria conta de tudo e dizimaria o exército e a população de nações em conflito.

Só que um ataque terrorista com uma Bomba Suja – uma arma que mistura material radioativo com explosivos – ou um ataque solitário de um país, como a Coreia do Norte, são cenários mais prováveis. Apesar dos EUA possuir um escudo de defesa de mísseis, essa tecnologia não funciona muito bem. O cenário mais provável é uma única detonação, ao invés de centenas que poderiam transformar o planeta em um lugar inabitável.

“Se for uma única e solitária arma, existe uma boa chance de sobrevivência”, disse Michael May, professor emérito da Universidade de Stanford, nos EUA.

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Até mesmo análises feitas na época da Guerra Fria, para verificar os impactos de uma guerra nuclear entre União Soviética e Estados Unidos, resultariam em “apenas” 40 milhões de pessoas mortas, disse May. Mas, claro, a infraestrutura de água e comida seriam destruídas, o que causaria uma verdadeira catástrofe, adicionou o professor.

Zona imediata de explosão

Os piores efeitos estão no coração da explosão, disse May.

Por nota, uma arma nuclear com 10 kilotons, equivalente ao tamanho das bombas de Hiroshima e Nagasaki, mataria, imediatamente, 50% das pessoas em um raio de 3.2 km do epicentro da explosão, de acordo com uma estimativa, feita em 2007. Esses mortes seriam causadas pelo fogo, intensa exposição à radiação e outros ferimentos fatais. Algumas pessoas podem se ferir por conta da pressão da explosão nuclear, enquanto que outras se machucariam graças a construções em colapso e estilhaços voadores. Prédios e casas em um raio de 600 metros do centro da explosão seriam destruídos ou, pelo menos, muito danificados.

O Memorial da Paz de Hiroshima, que resistiu a explosão da bomba atômica na cidade japonesa.
O Memorial da Paz de Hiroshima, que resistiu a explosão da bomba atômica na cidade japonesa.

Lesões nas extremidades do corpo seriam muito comuns, de acordo com o Projeto Preventivo de Defesa, que é uma parceria entre as Universidades de Harvard e Stanford. Algumas pessoas teriam queimaduras causadas pela bola de fogo criada pela detonação. Indivíduos nessa área também estariam expostos a níveis extremos de radiação, e equipes de ajuda e resgate teriam de esperar para entrar nesses locais até que esses níveis diminuam, o que prejudicaria qualquer tipo de assistência.

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Pessoas escondidas em porões ou construções semelhantes na zona imediata de explosão conseguiriam sobreviver, assumindo que exista apenas uma detonação, disse May.

Até mesmo aqueles que estejam há 1 milha de distância (1.6 km) do epicentro teriam tempo para escapar e aumentar suas chances de sobrevivência. A luz da explosão viaja muito mais rápido do que a pressão e as ondas de choque, o que significa que as pessoas teriam tempo de fechar seus olhos , se afastar de janelas, se agachar e se protegerem, de acordo com o Projeto Preventivo de Defesa.

Cinzas Nucleares

O próximo perigo com o qual é preciso lidar após uma explosão nuclear são as chamadas cinzas nucleares. Quando uma bomba nuclear explode, ela libera partículas radioativas, que acabam entrando em contato com o solo. Todo esse processo cria a icônica nuvem de cogumelo resultante da explosão. As maiores e mais pesadas partículas dessa nuvem acabam caindo, principalmente na área do epicentro da explosão.

Já as partículas menores podem se espalhar por um raio de 10 a 20 milhas (16 a 32 km) devido ao vento, mas sua radiotividade decai muito rápido e elas costumam demorar mais para atingir o solo.

Na ausência de neve ou chuva – o que faz as cinzas chegarem mais rápido ao solo – essa partículas menores já terão níveis mínimos de radioatividade, segundo um livro voltado para o assunto.

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48 horas após a explosão, a área, que uma vez ficou exposta a mil roentgens (a unidade de medida de radiação ionizante) por hora, terá apenas 10 roentgens. Metade das pessoas que ficaram expostas a 350 roentgens, provavelmente, morrerão em questão de dias por conta da radiação.

Aqueles na área de explosão podem tomar algumas medidas para se proteger, caso tenham recebido algum aviso. Por exemplo, você pode ir para um prédio ou estrutura reforçada e ficar longe de janelas, se jogar no chão ou se agachar, esperar 30 segundos após a explosão para que a onda de choque chegue ao local e permanecer no abrigo até que seja seguro sair.

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Após a explosão, é preciso remover suas roupas e tomar um banho, caso seja possível, para remover qualquer espécie de partícula radioativa de seu corpo.

Caso ocorra uma guerra nuclear, a contaminação de alimentos será algo comum. As partículas podem cair em plantações, atingir toda a cadeia de alimentos e causar problemas de saúde, como câncer, segundo May. O iodo radioativo, em particular, pode ser um sério problema.

As vacas concentram iodo no seu leite, que pode ficar acumulado na tireóide de crianças e pode causar câncer no local, afirmou May.

Pulsos eletromagnéticos

As detonações nucleares também podem causar pulsos eletromagnéticos que podem danificar uma infinidade de equipamentos elétricos e de comunicação, especialmente em um raio de 2 a 5 milhas (3,2 a 8 km) do epicentro da explosão. Veículos podem parar de funcionar, torres de comunicação podem quebrar e arrebentar e computadores serão destruídos, bem como qualquer circuito elétrico.

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Se preparando para a explosão

Entre os passos preparatórios que as pessoas podem tomar, a coordenação e o planejamento dos primeiros pedidos de ajuda devem ter um grande impacto nos níveis de vítimas, mas também é possível tomar algumas medidas preventivas.

Os mais ricos podem construir abrigos antibombas, mas até aqueles que não possuem muitas condições podem minimizar os riscos de uma explosão nuclear, segundo May. É essencial ter um estoque de comida, água e suprimentos de primeiros socorros em mãos, o que também deve funcionar para emergências futuras.

Outros passos podem ser únicos para uma explosão nuclear. Proteção respiratória, como máscaras de proteção ou até mesmo um simples pano para cobrir a boca e o nariz já são suficientes para reduzir a exposição à radiação.

Ataques nucleares também exigem ter um equipamento para medir os níveis de radiação. Pessoas que esperaram tempo suficiente para deixar seus abrigos precisam saber quais locais são mais seguros ou perigosos. “Você vai querer ter um medidor de radiação. Eles não custam muito caro”, disse May.

Outra dica de segurança é ter um rádio para manter a comunicação com o mundo exterior. Ele pode ser colocado em uma caixa de metal para protegê-lo do pulso eletromagnético e precisa ficar dentro de um saco plástico selado para protegê-lo da umidade.

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Fonte: LiveScience

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