Conheça a rotina de um moderador de posts denunciados do Facebook

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A BBC Brasil conversou com Sergio (nome fictício), um brasileiro que trabalhou durante um ano como moderador de posts denunciados no Facebook. Ele conta que o trabalho é desgastante, com o funcionário sendo exposto a todo o tipo de imagem e conteúdo pesado durante todo o dia. E tendo que agir rápido.

“Eu via vídeos ao vivo para checar se alguém se mataria”, conta Sergio. Ele diz que havia uma meta de 3.500 denúncias que deviam ser analisadas por dia, o que em oito horas de trabalho dá menos de 10 segundos para cada post. Ganhava um salário mínimo pela função.

Sergio e mais cerca de 500 pessoas no escritório onde ele trabalhava, lidavam com denúncias de violência, suicídios transmitidos ao vivo, tortura de animais, drogas, abuso sexual e até mesmo pedofilia no Facebook.

Entre as cenas bizarras que Sergio viu, estão várias envolvendo maus tratos a animais. Ele relembra um vídeo. “Num deles aparecia uma máquina de matadouro, com uma corda que girava presa a um motor e tinha uma vaca amarrada em uma das pontas. A corda a puxava e ela era despedaçada viva”.

Ele diz que depois de certo tempo as imagens brutais nem eram o que mais o incomodava. “Eu via todos os dias vídeos de brutalidades contra crianças, minorias e bichos, e a gente acaba se acostumando com imagens gráficas. Para mim, a crueldade humana em termos de palavras, apoiando agressões, pregando ódio, rindo de vítimas em comentários e compartilhamentos, era sempre muito pior”.

Ansiedade e traumas

É um trabalho de alta rotatividade, com metas agressivas e muita pressão dos superiores. Segundo Sergio, gerentes estavam sempre mostrando metas maiores conseguidas por outros locais onde moderadores trabalhavam.

Não é raro que moderadores do Facebook desenvolvam traumas psicológicos, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade e outros tipos de problemas.

Os meses de trabalho sob intensa pressão e exposição a conteúdo impactante, levaram Sergio a excluir seu perfil no Facebook. “Eu não queria me tornar uma daquelas pessoas que apareciam nas denúncias”.



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