As drogas e Carrie Fisher: como a cocaína e outras substâncias podem afetar o coração

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A autópsia feita no corpo da atriz Carrie Fisher, que morreu no final do ano passado, indicou que seu corpo tinha certa quantidade de drogas, como a cocaína, antes de sofrer uma parada cardíaca. Mas como que essas drogas afetam o funcionamento do nosso coração?

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Fisher teve o que pareceu ser uma parada cardíaca na parte final de um longo voo, no dia 23 de dezembro. Quase chegando ao seu destino, Fisher vomitou e logo ficou sem resposta, de acordo com o laudo toxicológico divulgado na última segunda-feira (19). Ela foi levada até o hospital da Universidade da Caliórnia, em Los Angeles, mas sofreu outra parada cardíaca. A atriz morreu quatro dias depois.

De acordo com a autópsia, Carrie Fisher testou positivo para cocaína, metadona, álcool e opióides quando ela chegou ao hospital. Testes realizados após sua morte mostraram que ela pode ter consumido cocaína até 72 horas antes de ser atendida. O laudo também sugere que ela pode ter feito uso de heroína e MDMA, que é o composto do ecstasy, mas não foi possível determinar a dosagem ou quando que essas drogas foram utilizadas.

O responsável pelos exames afirmou que foi difícil determinar o papel que as substâncias tiveram na morte de Carrie Fisher. A apneia do sono e outros fatores indeterminados são apontados como a causa de sua morte, e o laudo também afirma que a atriz tinha outras condições médicas que podem ter contribuído para o óbito, como doenças cardíacas.

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Substâncias prejudiciais ao coração

Muitas drogas podem ter efeitos prejudiciais ao coração, que podem levar a problemas como ritmo descompassado e até mesmo causar um ataque cardíaco, de acordo com a Associação Americana do Coração.

Por exemplo, a cocaína e a anfetamina são estimulantes que afetam o sistema nervoso central e podem aumentar a pressão sanguínea, as batidas do coração e modificar a temperatura corporal.

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Em particular, a cocaína já foi ligada a um grande número de efeitos cardiovasculares prejudiciais. Um estudo, conduzido em 2012, mostrou que pessoas que utilizam cocaína pelo menos uma vez por mês tinham pressão alta, artérias rígidas e paredes musculares do coração mais grossas do que aquelas que não faziam uso da droga. Todos esses fatores podem aumentar as chances de um ataque cardíaco, afirmaram os responsáveis pela pesquisa.

De fato, os pesquisadores afirmaram que a cocaína é a “droga perfeita para um ataque cardíaco”. A substância também pode causar problemas no ritmo das batidas do coração e paradas cardíacas repentinas, segundo o Órgão de Controle/Combate das Drogas (DEA) dos Estados Unidos.

Combinar a cocaína com o álcool pode ser particularmente perigoso, já que as duas substâncias reagem uma com a outra e criam o composto cocaetileno, que é tóxico para o nosso coração.

O MDMA, que é o composto do ecstasy, também foi ligado a ataques cardíacos em algumas pessoas. Por exemplo, em 2003, um estudo mostrou o caso de uma mulher, de apenas 27 anos, que sofreu um ataque cardíaco após fazer uso da droga. A substância também pode reduzir a eficiência do coração em bombear o sangue para o corpo, de acordo com o Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) dos Estados Unidos.

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Heroína possui o efeito inverso

Em contraste com as drogas consideradas estimulantes, que aumentam o ritmo do coração, a heroína é capaz de diminuir a respiração e os batimentos cardíacos de uma pessoa. Em alguns casos, a níveis perigosos, segundo o NIDA. O risco de isso acontecer aumenta quando o indivíduo utiliza uma quantidade muito alta da substância (overdose) ou a combina com álcool e outras drogas.

A heroína também pode desenvolver infecções bacterianas nos tecidos do coração. E em muitos casos, podem levar a risco de morte, pois elas acarretam em falha cardíaca, e o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo.

A filha de Carrie Fisher, Billie Lourd, divulgou um comunicado sobre a conexão da morte de sua mãe com o uso de drogas. “Minha mãe batalhou contra o vício de drogas e problemas mentais em toda sua vida. E ela morreu por conta disso. Ela estava, propositalmente, aberta em todos os seus trabalhos para discutir os estigmas sociais que cercam essas doenças”, afirmou Lourd.

Todd Fisher, o irmão da atriz, disse que o vício em drogas e a desordem bipolar de sua irmã “lentamente, mas com certeza, colocaram sua saúde em risco durante vários e vários anos.”

Fonte: Live Science

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