Excesso de enterros por Covid-19 representam ameaça para os lençóis freáticos

0

A pandemia do novo coronavírus está dizimando muitas vidas e os enterros batem na casa das 300 mil mortes somente no Brasil.

Esses enterros massivos estão começando a trazer graves consequências, pois muitos cemitérios foram construídos sem um planejamento adequado para receber tantos cadáveres. Dentre esses, impactos ambientais e transmissões de doenças para quem reside ou trabalha na região.

Em um artigo sobre impactos ambientais da Rosiana Bacigalupo, a geógrafa destaca que cada corpo decomposto libera cerca de 30 a 40 litros de necrochorume – uma analogia ao chorume dos resíduos orgânicos presentes nos aterros sanitários – que é uma solução viscosa, composta por água, sais minerais e substâncias orgânicas degradáveis.

Segundo o professor da Universidade de São Paulo, Alberto Pacheco, esse problema se agrava em virtude da construção dos cemitérios em lugares que apresentam (ou um dia apresentou) um valor imobiliário baixo e sem uso de estudos geotécnicos prévios.

É importante ressaltar que, há anos, os estudiosos de geologia e engenharia ambiental vêm alertando sobre a necessidade de se avaliar os impactos que os cemitérios brasileiros causam.

Doenças causadas

A geógrafa Francisleile Lima Nascimento chegou a publicar um estudo nomeado de “Cemitério x Novo Coronavírus: impactos da Covid-19 na saúde pública e coletiva dos mortos e dos vivos”, onde analisa quais serão as futuras consequências.

A água subterrânea é mais atingida pela contaminação por vírus e bactérias. Nascentes naturais ou poços rasos conectados ao aquífero contaminado podem transmitir doenças como tétano, gangrena gasosa, toxi-infecção alimentar, tuberculose, febre tifoide, febre paratifoide, vírus da hepatite A, dentre outras”, explica.

Francisleile também destaca que a população mais propícia a se acometer essas doenças serão as classes de baixa renda, pois vivem em regiões em que não existem acesso a água potável e possuem um sistema imunológico fraco.

Impactos ambientais

Atualmente, existe um processo de licenciamento ambiental para verificar se o local do cemitério está apto para comportar esse tipo de atividade e controlar os contaminantes gerados na decomposição dos corpos.

Conforme a doutoranda em recursos hídricos e saneamento ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Camila Baum alega que até pouco tempo, mais ou menos até 2003, não existia uma exigência desse licenciamento para averiguar as características do solo e aquífero freático.

Como visto recentemente em Manaus, houve a necessidade de desmatar uma área verde para poder criar valas coletivas e conseguir abrigar mais corpos sepultados, já que essa é uma opção mais barata (por volta de R$ 800) comparado com uma gaveta (que é em média R$ 10 mil).

O prefeito de Manaus, David Almeida (do partido Avante), chegou a prometer construir 22 mil sepulturas verticais em janeiro, mas a tentativa de contato do jornal Metrópoles com a Secretária de Meio Ambiente do estado, para saber sobre as medidas adotadas, foi em vão.



Deixe um Comentário

Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com