A homenagem da SpaceX ao 1° astronauta negro da história

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A empresa SpaceX, de Elon Musk, usou um de seus foguetes Falcon 9 para lançar, ao mesmo tempo, 64 satélites ao redor do nosso planeta, na última segunda-feira (3), na Basea Aérea Vandenberg, na Califórnia. No entanto, um deles se trata, na realidade, de uma singela homenagem a Robert H, Lawrence Jr., que é considerado o primeiro astronauta negro da história.

Essa pequena homenagem a Lawrence Jr. se trata de um jarro, semelhante a aqueles usados no Egitoantigo para preservar os órgãos de múmias, que possui o busto do astronauta em seu topo. A escultura está em meio a satélite ENOCH e foi criada pelo artista Tavares Strachan, que trabalhou em conjunto com o Museu de Arte do Condado de Los Angeles.

Lawrence Jr. era um piloto da Força Aérea Americana nascido em 1935 que tinha um doutorado na área de físico-química. Em 1967, ele foi chamado para fazer parte do programa Manned Orbiting Laboratory (MOL, ou Laboratório Orbital Tripulado, em tradução direta), também da Força Aérea Americana, que tinha como grande objetivo formar uma equipe para participar de uma plataforma de reconhecimento na órbita da Terra, que seria a primeira estação espacial da história.

No entanto, Lawrence Jr. acabou morrendo aos 32 anos, no dia 8 de dezembro de 1967, após um acidente envolvendo um jato F-104 Starfighter, durante uma missão teste do programa.

Se tivesse sobrevivido, Lawrence Jr. e seus colegas seriam, provavelmente, transferidos para a divisão de astronautas da Nasa, já que esse programa da Força Aérea foi cancelado dois anos mais tarde. Ele, com certeza, teria sido o primeiro astronauta negro a ir para o espaço. Essa honra acabou ficando a cargo de Guion “Guy” Bluford, que viajou na nave Challenger em 1983, ao lado de Richard Truly, que também foi integrante do programa Laboratório Orbital Tripulado.

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Em 1997, Lawrence Jr. recebeu uma justa homenagem da Fundação Memorial de Astronautas, após ter seu nome incluído no Space Mirror Memorial, que fica no Centro Espacial Kennedy, no estado da Flórida.

“Eu me lembro quando descobri, pela primeira vez, a história de Robert Henry Lawrence Jr., o primeiro astronauta negro que não teve o prazer da exploração espacial. Um super-herói misturado com piloto de jato, misturado com físico-químico, Lawrence Jr. era o tipo de pessoa que muitos meninos e meninas do meu quarteirão queriam ser, mas nunca conheceram sua história”, disse Tavares Strachan, em sua página no Facebook.

Como dito no início, a escultura do primeiro astronauta negro da história se inspirou nos jarros egípcios usados para preservar os órgãos de múmias. Mais tarde, ele foi levado para ser batizado em um santuário xintoísta no Japão para que a obra fosse reconhecida como “o contêiner que tinha a alma de Lawrence Jr.”. O nome Enoch foi escolhido em referência a Enoque, a figura bíblica de textos cristãos, judeus e muçulmanos que não morreu, mas ascendeu diretamente para a outra vida.

O satélite, que deve circular pelo planeta pelos próximos sete anos, foi patrocinado pela própria SpaceX e teve a benção do programa LACMA Art +TechonologyLab, uma iniciativa que visa misturar arte com tecnologia. Tudo começou em 2014, quando Strachan se encontrou com Gwynne Shotwell, chefe de operações da SpaceX e conselheiro da LACMA, após querer encontrar uma maneira da tecnologia levar suas artes para novas direções.

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“Lançar um trabalho de arte no espaço é um resultado espetacular do programa. E mais importante, o projeto de Tavares honra um pioneiro pouco reconhecido do programa espacial da Nasa”, lembrou Michael Govan, CEO da LACMA.

E a escultura que honra o primeiro astronauta negro da história não foi a única obra de arte lançada pelo SpaceX até o espaço. O artista contemporâneo Trevor Paglen também enviou o chamado Refletor Orbital, produzido em colaboração com o Museu de Arte de Nevada.

Se trata de uma escultura feita com um material parecido com mylar (uma forte película de poliéster) que é visível a olho nu a partir da Terra. Mas diferente do ENOCH, ela deve orbitar a Terra apenas por alguns meses antes de cair na atmosfera e ser destruída.

Já os demais 62 satélites lançados pela SpaceX na segunda-feira se tratam de microsats e cubesats de entidades comerciais e governamentais, com as mais variadas aplicações.

Fonte: Space.com



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