O apicultor que driblou a falta de combustível com etanol a partir do mel

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Durante a recente greve dos caminhoneiros, todo o Brasil passou por problemas de falta de combustível. Não foi o caso desse apicultor da Bahia, que faz etanol a partir do mel que produz. Mas como ele consegue fazer isso?

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Luiz Jordans Ramalho Alves é apicultor há 30 anos e nos últimos 10, passou a ter problemas com os chamados descartes. Ele possui um entreposto na região de Vitória da Conquista, de onde distribui o mel que produz para todo o sudeste do estado da Bahia. Por esse entreposto, passam cerca de 10 toneladas de mel por mês.

Dessa quantidade, entre 0,5 e 1% retorna para ele como descarte. “Eles voltam por pequenos defeitos, como uma embalagem que trincou e gerou risco de contaminação, então, recolhemos para manter o controle de qualidade”, explica Jordans.

Descartar esse mel que retorna é um problema ambiental, já que ele pode acabar fermentando e matando até mesmo as abelhas que seriam atraídas por ele. Por isso, o apicultor resolveu achar uma utilidade para as sobras.

Jordans passou a produzir aguardente de mel, mas essa produção aproveitava apenas 70% do descarte. Foi então que ele descobriu que o restante chegava a uma graduação alcoólica de 80%, bem próximo aos 94,5% exigidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para que o produto seja usado como combustível em veículos.

“Meltanol”

O apicultor passou a testar o combustível “artesanal” em seu próprio carro e embora tenha notado perda de potência, afirma que consegue andar normalmente. Ele não pode comercializar esse etanol, mas seu carro particular e os veículos da empresa são movidos pelo etanol que ele mesmo produz. Dessa forma ele conseguiu driblar a falta de combustível que atingiu todo o país durante a greve dos caminhoneiros.

Para que o etanol de mel pudesse ser comercializado, deveria passar por novos processos de destilação, para que atinja a graduação alcoólica mínima estipulada pela ANP. Mas essa não é a intenção de Jordans. Ele afirma que seu objetivo era apenas aproveitar o descarte de mel, o que ele já vem conseguindo e sendo, portanto, autossuficiente em combustível.



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