O uso constante de celulares é prejudicial à saúde ou não?

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O governo do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, divulgou, no início desta semana, uma espécie de lista de práticas para reduzir a exposição de pessoas à energia de radiofrequência (RF) de celulares, pois ela seria prejudicial para nossa saúde. Mas a ciência já mostrou que essas preocupações não te deixarão, necessariamente, mais seguro, afirmam especialistas.

Esse guia, que foi divulgado pelo Departamento da Califórnia de Saúde Pública (CDPH, na sigla em inglês), listou as seguintes práticas para evitar qualquer tipo de exposição à energia de rádiofrequência:

– Manter o celular longe do corpo: não carregá-lo em seus bolsos, por exemplo; usar um fone ou headset para fazer ligações e sempre que possível, dar preferência pelas mensagens

– Reduzir o uso do celular quando o sinal estiver fraco

– Reduzir o uso para stream, vídeo ou download de grandes arquivos

– Deixa o aparelho longe da cama enquanto estiver dormindo, a não ser que fique desligado ou no modo avião

– Evitar produtos que afirmam bloquear a energia de radiofrequência, pois eles podem, na realidade, aumentar a exposição.

Essa lista foi divulgada após uma ação judicial movida contra o estado por parte de Joel Moskowitz, diretor da escola de saúde pública da Universidade da Califórnia em Berkeley, que queria ver o guia divulgado para a população.

Só que John Moulder, professor emérito da Medical College of Wisconsin, explica que muitos estudos realizados sobre o tema não encontraram efeitos negativos grandes e adversos pelo uso de celulares em nossa saúde.

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Como os celulares funcionam

Os aparelhos celulares funcionam da seguinte maneira: eles enviam e recebem sinais das torres de celular. E quando esses sinais são codificados pela energia de radiofrequência, essa é uma forma de radiação eletromagnética. Segundo próprio CDPH, elas não são tão poderosas ou perigosas para nossas células como os Raios X ou a Radiação Ultra Violeta.

Quando um celular recebe qualquer tipo de informação, seja por meio de um download ou mensagem, a única energia de radiofrequência que uma pessoa recebe é a partir da torre, que está bem distante e causaria poucos efeitos adversos.

No entanto, quando uma pessoa está falando pelo telefone, a radiação viaja pela antena do telefone em todas as direções, incluindo o corpo da pessoa, afirmou o CDPH. É essa radiação o motivo de preocupação de muita gente, apesar da ciência ainda não ter encontrado evidências consistentes que liguem o uso de celulares a problemas de saúde, afirmou Moulder.

Quando o telefone está ligado, mas não em uso, ele envia, periodicamente, sinais para a torre, que assim pode localizar o aparelho no caso de uma chamada, mas esses sinais são quase irrelevantes, lembra Moulder.

Algumas exceções

“Com algumas exceções, se você se preocupa com isso, essas são dicas boas para reduzir sua exposição (a energia de radiofrequência)”, explicou Moulder. Mas o próprio professor disse que alguns itens da listas são exageradas, como ter de dormir longe do celular a não ser que ele esteja desligado ou no modo avião. Se o aparelho não estiver transmitindo dados de forma ativa, a exposição à energia de radiofrequência é bem pequena, comentou Moulder. E o mesmo vale para o download de arquivos.

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No entanto, a exposição pode aumentar no caso do sinal estar fraco ou se a pessoa estiver viajando em alta velocidade dentro de um carro. O motivo é nesses casos, o celular precisa colocar mais energia de radiofrequência para manter a ligação com a torre.

E também é importante remover qualquer headset que faça ligação por meio do Bluetooth, já que essa tecnologia se comunica continuamente com o celular.

Estudos já realizados

Nos últimos anos, muitos estudos conduzidos em humanos e roedores já tentaram observar os efeitos negativos da radição por meio da energia de radiofrequência.

Um estudo de 2007, publicado no Jornal Americano de Epidemiologia mostrou que pessoas que fazem uso frequente de celulares possuem mais chances de desenvolverem tumores nas glândulas salivares em relação a quem fazia pouco ou nenhum uso de celulares.

Já outra pesquisa relatou que a parte do cérebro que fica próxima de um celular pode utilizar mais glicose que outros locais do órgão, apesar de não ter ficado claro se esse efeito era realmente prejudicial. Joel Moskowtiz, do CDPH, teria apontado que outras pesquisas associaram certos tipos de tumores do cérebro com o uso exagerado de celulares.

No entanto, apesar da possível associação entre a radiação causada pela energia de radiofrequência e câncer no cérebro, evidências mais concretas para essa ligação ainda são fracas, segundo Moulder.

“Honestamente, existem um número de estudos individuais que mostram um pequeno risco elevados para os usuários. E muitos outros estudos sequer mostram isso. Se você observar todos os estudos, você não encontrará um padrão”, afirmou Moulder.

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No entanto, isso também não significa que os celulares não podem trazer problemas de saúde. “Se existe algum risco, ele é muito pequeno e só ocorre em circunstâncias bem especiais. Não existe uma maneira de provar a ausência absoluta de riscos”, afirmou.

Moulder também notou que não existe um aumento a longo prazo na frequência de tumores cerebrais na população, o que significa que também não existem riscos a curto prazo, ainda mais se levarmos em conta que o uso de celulares se propagou há quase 20 anos.

Entretanto, o próprio professor lembra que muitos estudos são conduzidos em adultos. Como poucos foram realizados em crianças, e se levarmos em conta que seus cérebros ainda estão se desenvolvendo, é sempre bom que os pais pensem duas vezes antes de dar um celular na mão de uma criança.

“Meu conselho, como cientista, é que não existem evidências de riscos em crianças”. Meu conselho, como avô, é ter cautela. E não tem nada a ver com a ciência”, disse.

Fonte: Live Science

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