Os vencedores do Ig Nobel 2018, o prêmio das bizarrices da ciência

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Pedras no rim podem ser expelidas mais rapidamente se o paciente der uma volta numa montanha-russa gigante? O canibalismo é uma boa forma de ingerir calorias? E saliva humana? Funciona mesmo para dar aquela limpadinha na sujeira que caiu na mesa? Até parecem perguntas de crianças curiosas para entender o funcionamento do mundo, mas foram propostas por pesquisadores de verdade, que criaram metodologias para testá-las e resultaram em artigos publicados em revistas científicas. É coisa séria, mas nem por isso deixa de ser hilária. E acaba de ganhar o Nobel da ciência esdrúxula do ano. Senhoras e senhores, esses são alguns dos laureados do Ig Nobel deste ano.

A brincadeira, organizada pela revista Anais da Ciência Improvável, celebra as pesquisas que “primeiro fazem rir e depois pensar” foi anunciada na noite desta quinta-feira (13), em cerimônia concorridíssima no Teatro Sanders, na Universidade Harvard. Os ‘prêmios’ do Ig Nobel 2018 foram entregues por verdadeiros nobéis e recebidos com muito bom humor pelos autores dos trabalhos.

Em sua 28ª edição, a paródia do ilustre Prêmio Nobel destacou 10 estudos que à primeira vista parecem piada, mas que são interessantíssimos – e podem até ser bem úteis. É o caso da investigação sobre as pedras no rim, que levou o Ig Nobel de Medicina.

Os pesquisadores Marc Mitchell e David Wartinger, da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um simulador renal, o encheram com urina, colocaram três cálculos suspensos no líquido e o levaram para dar 20 voltas na montanha-russa Big Thunder Mountain Railroad, na Disney World, em Orlando, Flórida.

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A inspiração veio do que os autores disseram ser um “número considerável” de pacientes que relataram terem experimentado a passagem espontânea de cálculos renais depois de andarem no brinquedo. A ideia era checar se isso poderia acontecer.

Para isso, os pesquisadores usaram cálculos de diferentes volumes e fizeram o passeio em posições diferentes na montanha-russa: na frente, no centro e na parte de trás dos carrinhos. No trabalho, publicado no Journal of the American Osteopathic Association, eles relataram que de fato os cálculos se moviam dentro do modelo após o passeio – e o melhor desempenho ocorria quando o modelo estava na parte traseira da montanha-russa.

 

Mas comparando com a carne de bichos que também estavam na dieta dessas populações, o valor nutricional do Homo sapiens é fichinha. Enquanto os músculos humanos, por quilo, oferecem 1.300 calorias, o valor de um bisão é 2.040. De um urso é 4 mil. O que fez o autor concluir que o canibalismo era muito mais ritualístico do que nutricional.

Conheça os outros laureados do Ig Nobel 2018:

Antropologia: Tomas Persson, Gabriela-Alina Sauciuc e Elainie Madsen, por coletarem evidências, em um zoológico, de que chimpanzés imitam seres humanos quase tão frequentemente, e bem, quanto humanos imitam chimpanzés.

Química: Paula Romão, Adília Alarcão e César Viana (falecido), por medirem o quanto a saliva humana funciona para limpar superfícies sujas.

Biologia: Paul Becher, Sebastien Lebreton, Erika Wallin, Erik Hedenstrom, Felipe Borrero-Echeverry, Marie Bengtsson, Volker Jorger e Peter Witzgall, por demonstrarem que enólogos conseguem identificar, com segurança, pelo cheiro, a presença de uma única mosca em um copo de vinho.

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Educação Médica: Akira Horiuchi por testar, em si mesmo, as possibilidades de fazer sentado uma colonoscopia.

Literatura: Thea Blackler, Rafael Gomez, Vesna Popovic e M. Helen Thompson por documentar que a maior parte das pessoas que usa equipamentos complicados não lê o manual de instruções antes de fazê-lo.

Medicina reprodutiva: John Barry, Bruce Blank e Michel Boileau, pelo uso de adesivos para testar se a ereção noturna de homens com impotência estava ocorrendo dentro dos conformes.

Economia: Lindie Hanyu Liang, Douglas Brown, Huiwen Lian, Samuel Hanig, D. Lance Ferris e Lisa Keeping, por investigar se é efetivo funcionários fazerem bonecos de vudu como forma de retaliação contra chefes abusivos. Aparentemente, o ato ajuda a restaurar a justiça no ambiente de trabalho. Mas, não, não tem nada a ver com magia negra. O fato de fazer um boneco desses é uma excelente forma de causar constrangimento e aquele sentimento de vergonha pelo papelão de destratar os funcionários.

Paz: Francisco Alonso, Cristina Esteban, Andrea Serge, Maria-Luisa Ballestar, Jaime Sanmartín, Constanza Calatayud e Beatriz Alamar, por medir a frequência, a motivação e a percepção de risco de motoristas que gritam e xingam no trânsito.

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