Por que assassinatos em massa raramente são praticados por mulheres?

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Infelizmente, assassinatos em massa têm se tornado mais comuns nos últimos tempos. O ataque em uma boate gay na cidade de Orlando, nos Estados Unidos, no último sábado (11), voltou a colocar o assunto em pauta.

Algo raramente questionado em atentados dessa magnitude é a motivação para os crimes. Neste ataque mais recente, o Estado Islâmico reivindica a autoria, no entanto, é difícil compreender porque atiradores em massa colocam a vida à disposição de barbáries do tipo.

A motivação para esse tipo de crime pode estar diretamente relacionada ao gênero dos responsáveis por tais ataques. É raro que mulheres protagonizem assassinatos em massa – são fenômenos masculinos.

O site LiveScience buscou explicações para isso e ouviu de pesquisadores que não há como fazer um diagnóstico sobre assassinatos em massa promovidos por mulheres. “Não há casos suficientes para se estudar”, afirmou James Garbarino, psicólogo da Universidade Loyola de Chicago.

No geral, mulheres são menos assassinas do que homens. Nos Estados Unidos, elas cometem entre 10% a 13% dos homicídios e apenas 8% dos assassinatos por armas de fogo, no geral, são de responsabilidade delas. No Brasil, dados como esses não foram localizados facilmente em plataformas sobre segurança.

De acordo com Adam Lankford, professor de direito criminal, mulheres matam de outras formas. Ainda nos Estados Unidos, 40% dos envenenamentos e 20% das mortes causadas por incêndios criminosos são causadas pelo sexo feminino. No entanto, são porcentagens baseadas em números bem menores do que homicídios por armas de fogo.

Motivações biológicas

Muitos crimes recentes têm motivações causadas pelo coletivo, como os atentados ligados ao Estado Islâmico. No entanto, há uma série de fatores individuais que levam à questão coletiva.

Cada caso é único, mas especialistas consideram que há elementos da biologia masculina que, combinados à socialização, tornam homens mais propensos à violência. De acordo com o psicólogo James Garbarino, esse perfil é mundial. Por mais que se atenua ou se equipare em determinados países, o reflexo é o mesmo: o sexo masculino é mais assassino que o feminino.

Para Garbarino, o sexo masculino pode ser biologicamente vulnerável a situações do tipo: variações em um gene chamado MAOA, combinado com estressores de desenvolvimento, como abuso ou uso de drogas, podem aumentar o ímpeto masculino pela criminalidade. Ainda segundo o psicólogo, homens também são mais propensos do que as mulheres para basear decisões morais em princípios abstratos, em vez de empatia.

A explicação biológica reforça-se para ambos os sexos quando ancestrais humanos são levados em considerações. A tendência para a violência é constatada em chimpanzés, os primatas considerados mais “próximos” dos seres humanos.

Motivações particulares

A frustração sexual é o que mais motiva atiradores em massa do sexo masculino, de acordo com o jurista Adam Lankford. Misoginia e até homofobia são os principais combustíveis para ataques do tipo, mesmo que exista a tentativa de disfarçar esse viés com crimes sendo associados a grupos religiosos.

Status social, por sua vez, é o principal fator que motiva assassinatos em massa em ambientes escolares. A socióloga Katherine Newman reforça que esse também é um fenômeno masculino e que situações do tipo são respostas a roteiros culturais que igualam violência com masculinidade.

Geralmente, os assassinos não são pessoas solitárias, mas foram humilhados ao tentarem entrar em determinado grupo social. “Infelizmente para os homens, o papel do anti-herói é muito atraente”, disse Katherine Newman.

Assassinatos e cultura da violência

Psicólogos também entendem que, culturalmente, os homens são condicionados a serem recompensados por atitudes violentas: para os profissionais da área, até mesmo histórias de super-heróis ou filmes de ação, onde os protagonistas ficam com a garota após matarem algum vilão, são absorvidas de forma negativa por parte das pessoas. São concepções masculinas e/ou masculinizadas, afirmou a socióloga Katherine Newman. “Os problemas de reputação do universo feminino são representados de outra forma, como em fofocas ou auto-mutilação”, disse.

A cultura de uma sociedade é capaz de interagir de maneira surpreendente com doenças mentais. Em um artigo publicado no British Journal Of Psychiatry, em 2014, pesquisadores relatam que 70% dos americanos com problemas psicológicos que ouviram vozes afirmaram que essas vozes os conduziram para a violência. Na Índia, esse número era de 20%, e em Gana, apenas 10%.

“As pessoas que nós classificamos como ‘loucas’, como elas absorvem as mensagens e os scripts culturais que estão por aí?”, questionou o psicólogo James Garbarino.



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