Síndrome conservadora: a condição clínica que pode estar afetando a política mundial

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Nos últimos anos, a política em todo o mundo tem visto o crescimento de ideias de viés mais conservador. Segundo um estudo realizado na Austrália, isso pode ser o sintoma de uma síndrome conservadora, que pode afetar desde indivíduos até países inteiros e pode ser a chave para entender alguns dos acontecimentos mais importantes dos últimos tempos, não só no Brasil, mas a nível global.

O pesquisador Lazar Stankov, da Universidade de Sidney, na Austrália, é um dos autores do estudo. Ele explica que a expressão a síndrome conservadora sintetiza uma série de comportamentos relacionados que caracterizam uma condição psicológica, que é basicamente o desejo de conservar o chamado status quo, ou establishment. O estudo deixa claro que a síndrome engloba um conservadorismo psicológico e não apenas político.

As três principais características dos portadores da síndrome conservadora seriam religiosidade, dominância e moralidade social. Essas pessoas seriam no geral menos abertas a novidades e mudanças, além de geralmente possuírem um comportamento hostil contra pessoas ou instituições que possam representar essas mudanças. A religiosidade, autoritarismo e respeito extremo a tradições seriam uma espécie de defesa adotada contra isso.

O estudo utilizou como base um banco de dados com informações de mais de 11 mil pessoas de 30 países. Foi possível observar que a síndrome conservadora existe em qualquer lugar e que seus portadores também tendem a possuir um QI mais baixo do que a média, além de serem menos informados de modo geral.

Conservadorismo e terrorismo

Stankov chama a atenção sobre algumas características da síndrome conservadora, especialmente a hostilidade com tudo o que representa o oposto. É possível traçar um paralelo entre esse e outro fenômeno denominado mentalidade extremista militante (MEM), observado em muitos indivíduos envolvidos em atos terroristas.

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Para o pesquisador, um crescimento dessas características pode representar um perigo real, algo que já vem acontecendo, por enquanto em pequena escala. “Se alguns aspectos da MEM forem ativados, uma nova onda de terrorismo conservador pode emergir. Esses alvos podem não ser apenas membros de grupos de fora, mas também profissões que são percebidas como defensoras da tolerância de pontos de vista diferentes”, diz o cientista.



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