Vida em Marte? Respostas que a nova pesquisa da Nasa pode nos dar

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Na última quinta-feira, a Nasa anunciou uma descoberta muito importante a respeito de Marte: a presença de matéria orgânica no nosso vizinho, descoberta pela sonda Curiosity. Essa é uma pista de que já pode ter existido vida no planeta, mesmo em um passado remoto.

Mas se você ficou muito animado com a notícia, já pode segurar a onda um pouco. “Esses resultados não nos dão nenhuma evidência de vida”, disse Jennifer Eigenbrode, autora líder do estudo que fez a descoberta.

“Mas existe uma possibilidade de que os orgânicos são de uma fonte antiga de vida, apenas não sabemos qual. E mesmo que a vida não tenha propriamente surgido, as moléculas nos contam que, pelo menos, havia algo para micro-organismos se alimentarem”, complementou a pesquisadora.

Os blocos da vida em Marte

A caça por vida em Marte possui uma longa e complicada história. Tudo começou pelo Programa Viking, em que duas sondas semelhantes pousaram no planeta em 1976 para procurar sinais de vida. Seus experimentos chegaram a ter resultados ambíguos, mas nada de materiais orgânicos, com a exceção de dois compostos clorados: o clorometano e o diclorometano, que os cientistas acreditaram ter vindo da Terra.

Foi o suficiente para convencer muitos especialistas que Marte era um planeta morto, já que a vida é impossível de se desenvolver sem a presença de moléculas orgânicas.

Mas tudo mudou em 2008, quando a sonda Phoenix encontrou os chamados percloratos no solo marciano. E isso animou muita gente, pois os percloratos podem destruir compostos orgânicos quando aquecidos, o que pode explicar por que o Programa Viking não encontrou nada. Um experimento semelhante foi conduzido na Terra e os resultados foram positivos.

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Aí, em 2012, foi lançada a sonda Curiosity, que deu continuidade à busca de vida em Marte. Os pesquisadores logo descobriram que o local em que ela pousou, a cratera Gale, já foi lar de um lago com potencial habitável há bilhões de anos atrás.

Os instrumentos da sonda também descobriram pequenas amostras de materiais orgânicos, como hidrocarbonetos clorados, como o clorobenzeno e o diclorobutano, nas proximidades do local de pouso da Curiosity.

“Estavamos um pouco confusos, não tinhamos certeza o que essas moléculas significavam na procura por vida. Mas nos deu uma boa antecipação de que, se conseguimos encontrar essas moléculas, talvez poderiamos encontrar outras camadas de rochas que possuísem mais compostos orgânicos, e foi exatamente o que aconteceu” disse Jennifer Eigenbrode.

O mistério do metano

Outro estudo, feito ao mesmo tempo, também foi fundamental para compreender a distribuição de metano na atmosfera de Marte. As concentrações do gás podem variar entre estações, mas o pico ocorre no final do verão no hemisfério norte do planeta.

Tal descoberta já é o suficiente para descartar meteoritos ou poeira como fonte primária do metano em Marte, de acordo com Chris Webster, autor líder dessa pesquisa. O cientista e sua equipe acreditam que o metano vaza continuamente de reservas que estão abaixo do solo e que ele deve se ligar com algumas partículas que estão no solo. E as concentrações aumentam principalmente durante climas mais amenos.

A equipe não soube informar a origem exata do metano, mas acredita que pode ser resultado de micróbios ou processos geológicos, como a reação da água quente com certos tipos de rochas.

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Algumas respostas

Essa questão envolvendo a distribuição de metano ainda deve ganhar novos capítulos em breve. Um módulo, construído em conjunto pela agência espacial europeia e russa começou a explorar Marte recentemente, justamente para analisar a presença do metano e outros gases no nosso vizinho.

“Se ele puder nos dizer em que região de Marte o metano pode estar vazando, pode ser uma grande descoberta. A partir daí, podemos ditar o rumo de futuras missões”, disse Webster.

Por exemplo, a sonda que será enviada para Marte em 2020, poderá descobrir a fonte do metano. Ela terá instrumentos para medir isótopos de carbono, o que pode ajudar a revelar a origem do gás. E um bom exemplo é a Terra, em que o metano produzido aqui possui o Carbono-13, que possui um neutron a mais em seu núcleo que o “normal” Carbono-12.

A Curiosity até é capaz de fazer esse tipo de medida, mas os instrumentos da sonda que será enviada daqui a dois anos são melhores e mais avançados.

Voltando a falar a respeito da descoberta de moléculas orgânicas em Marte, o cientista Ashwin Vasavada, da equipe responsável pela Curiosity, acredita que o estudo de Eigenbrode e sua equipe será importante para futuras missões no planeta.

“O estudo nos dá um grande conhecimento de como que moléculas orgânicas podem ser preservadas com o passar do tempo e quais tipos conseguem se preservar mais que os outros”, disse.

Os resultados enviados pela Curiosity mostram que o fundo de lagos podem concentrar grandes quantidades de compostos orgânicos, de acordo com Eigenbrode.

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“Isso, pelo menos, aumenta nossa confiança de que deve haver algo para encontrarmos nessas missões futuras”, complementou Vasavada.

Fonte: Space.com



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