Exército dos EUA pretende usar genética para eliminar mosquitos e outras pragas

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A agência DARPA (sigla em inglês para Agência de Projetos de Pesquisa de Defesa Avançada) do exército dos Estados Unidos está trabalhando em um projeto que divide opiniões. Trata-se de um estudo de tecnologia genética que promete provocar a extinção de pragas como mosquitos e ratos de esgoto.

Cerca de 100 milhões de dólares já foram investidos no projeto, que se utiliza de manipulação genética, introduzindo ácido ribonucleico (RNA) sintético em cadeias de DNA naturais. O RNA sintético quebra a sequência de DNA natural e permite modificações de partes específicas. As alterações podem incluir, por exemplo,  a definição do sexo dos animais.

Dessa forma, populações inteiras de mosquitos Aedes Aegypti, responsável pela transmissão da dengue e da chikungunya, entre outras doenças, teriam seu gênero alterado, provocando sua extinção e erradicando as doenças que transmitem.

Uma pessoa ligada as Nações Unidas que preferiu não se identificar mostrou preocupação com o trabalho de engenharia genética. “Você pode remover vírus e toda população de mosquitos, mas pode causar um prejuízo ecológico das espécies que dependem deles. Minha preocupação é que façamos algo irreversível ao meio ambiente, apesar das boas intenções, antes de entendermos completamente o modo como a tecnologia funcionará”, disse.

Um diplomata que também não quis se identificar falou ao jornal The Guardian que o projeto será tema de discussão na Convenção das Nações Unidas de Diversidade Biológica, que acontece no Canadá, em dezembro.

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Governo americano não teve a iniciativa da divulgação

O novo programa de desenvolvimento da DARPA não foi revelado pelo governo americano. Uma dispositivo similar à Lei de Acesso a Informação brasileira foi utilizado por Jim Thomas, co-fundador do ETC Group, grupo ligado a temas como direitos humanos e sustentabilidade.

Thomas se diz preocupado com as alterações que a tecnologia genética pode causar na natureza, além de não concordar que pesquisas nessa área sejam feitas por departamentos militares. “O uso dúbio da alteração da natureza e erradicação de populações inteiras é uma ameaça à paz e segurança alimentar, assim como é para o ecossistema. Militarização do financiamento de pesquisas sobre o gene pode até ser uma quebra da convenção da ONU contra o uso hostil de tecnologias de modificação ambiental”, afirmou.

 



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