Conheça alguns fatos interessantes sobre a criação da dinamite

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O último dia 7 de maio marcou o aniversário de 150 anos de uma das patentes de Alfred Nobel para a dinamite, que aconteceu em 1867. Esse explosivo ajudou a remodelar o planeta, já que revolucionou a área de construção, bem como a de guerra, para a tristeza de seu inventor.

Confira abaixo alguns fatos sobre a criação da dinamite:

Um explosivo mais seguro

Apesar da invenção de Nobel ser importante, esse não foi o primeiro explosivo criado pelo homem. A pólvora foi inventada na China, no século IX, e já era utilizada em confrontos europeus desde o ano 1200. Em 1846, o italiano Ascanio Sobrero criou o explosivo volátil nitroglicerina, de acordo com o website da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

O processo para criá-la foi muito simples: envolveu adicionar glicerina a uma mistura de ácido nítrico e ácido sulfúrico. Mas a nitroglicerina possui uma característica bem desagradável: quando ela está impura, pode explodir sem qualquer aviso, e o menor movimento também pode fazê-la explodir, tornando-a muito instável.

A inovação de Nobel foi descobrir que esse material volátil, quando misturado com uma substância chamada de diatomito (ou diatomite), poderia se tornar estável. Esse novo e mais seguro explosivo poderia ser amassado e misturado, como barro/argila, e ser esculpido em diferentes formas, e colocado em tubos. Era bem improvável que ela explodisse espontaneamente, o que fez Nobel chamá-la de “Dinamite ou Pó de Segurança de Nobel”, ao aplicar sua primeira patente, em 19 de setembro de 1866.

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Rocha de diatomito
Rocha de diatomito

Onda de choque

Uma das chaves para fazer a dinamite funcionar foi ter encontrado uma forma de fazer a nitroglicerina explodir de maneira mais segura e confiável. Nobel teve a ideia de utilizar uma onda de choque para detonar o explosivo. Ele percebeu que a nitroglicerina precisava aquecer rapidamente para explodir, e que uma onda de choque poderia providenciar esse aquecimento instantâneo.

Para conseguir chegar a esse objetivo, Nobel inventou a tampa de explosão, ou detonador. Ele inicia uma pequena explosão em outra substância explosiva, que cria a explosão maior. No primeiro protótipo, o detonador utilizava um plug de madeira, preenchido com pólvora, que era detonado com um fusível. Era a explosão da pólvora que disparava a explosão maior da dinamite.

Projetos de construção

O próprio Alfred Nobel era um construtor em Estocolmo, capital da Suécia, e ele desenvolveu a dinamite, originalmente, como uma maneira de revolucionar a construção, o que permitia trabalhadores explodirem rochas, cavarem túneis e construírem estradas mais facilmente, sem a necessidade de trabalhos manuais.

Entretanto, para esses tipos de projetos, outra invenção sua chamada de gelatina explosiva ou dinamite gelatinosa, provou ser ainda mais útil, apesar de ser bem mais cara que a dinamite, então levou um tempo para se popularizar, de acordo com a biografia de Nobel.

A gelatina explosiva era estável e resistente à fricção e choques como a dinamite, além de ser tão poderosa quanto à nitroglicerina. Mas também poderia ser utilizada debaixo d’água, o que fez dela extremamente útil para projetos de túneis aquáticos.

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Uso em guerras

Infelizmente, seu uso como ferramenta de guerra era também muito óbvio. A dinamite foi usada como bomba pela primeira vez em 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana, e logo estava difundida e presente nos canhões da Guerra Hispano-Americana. Nobel estava ciente do novo uso de sua invenção. Ainda assim, ele continuou a desenvolver tecnologias de guerra, mesmo após a invenção da dinamite, como foguetes, canhões e a pólvora “sem fumaça”. Só que ele se tornou um pacifista em seus últimos anos de vida. Como muitos estrategistas militares da época, Nobel acreditava que a invenção de armas de destruição em massa incrivelmente poderosas poderiam se transformar em um meio de evitar guerras.

“Minhas fábricas colocarão um fim as guerras antes de suas conferências. No dia em que dois exércitos forem capazes de se destruírem em questão de segundos, todas as nações civilizadas irão pensar duas vezes antes de entrar em guerra, e irão dispensar suas tropas” escreveu Nobel, em uma carta para a pacifista Bertha von Suttner, em 1892.

Retrato de Alfred Nobel
Retrato de Alfred Nobel

Quando morreu em 1896, Nobel deixou uma herança de 31 milhões de coroas suecas (o equivalente a 256 milhões de coroas suecas, atualmente) para a criação do Prêmio Nobel. Esses prêmios são feitos para pessoas que fizeram contribuições “a um enorme campo de conhecimentos e progressos”, segundo o site da fundação.

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Um dos principais prêmios era destinado para a pessoa que “fizesse o maior e o melhor trabalho pela irmandade das nações e a abolição ou redução de exércitos permanentes, bem como divulgar e espalhar a paz em congressos”. A premiação, eventualmente, ficou conhecida como o Prêmio Nobel da Paz.

Nobel, um pacifista que criou um dos mais poderosos explosivos utilizados nas guerras de sua época, era cheio de contradições. Em suas próprias palavras, ele era um “misantropo (alguém que tem aversão às pessoas), e ainda assim, totalmente benevolente, tinha um parafuso a menos, e ainda assim era um grande idealista, que digere filosofia mais eficientemente que comida”, de acordo com sua biografia.

Fonte: Live Science

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