Morte de macacos por humanos pode complicar febre amarela; entenda

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Desde que os casos de febre amarela começaram a aumentar na região sudeste e no Distrito Federal, muitos macacos de várias espécies têm sido encontrados mortos. Muitos são vítimas da doença, mas boa parte é morta por ação humana, motivada pela crença de que os macacos transmitem o vírus.

Os pesquisadores explicam que além de não serem os responsáveis pela transmissão da febre amarela, os macacos são vítimas e aliados dos seres humanos. O real transmissor da doença é um mosquito que costuma voar na altura da copa das árvores, tendo mais acesso aos macacos.

Os primatas servem como uma espécie de termômetro: quando muitos são encontrados mortos por febre amarela, é possível encontrar focos de transmissão e até mesmo o caminho que a epidemia está tomando.

Porém, boa parte desses animais está sendo morta por pessoas que acreditam que eles podem transmitir o vírus. No Rio de Janeiro, cerca de 69% dos macacos encontrados mortos pelo Centro de Zoonose tinha sinais de espancamento, envenenamento e morte não natural.

A matança desordenada e desinformada dos primatas preocupa os cientistas até mesmo em relação a espécies em extinção. Alguns exemplares de mico-leão-dourado foram encontrados com fraturas e existe um temor de que o macaco bugio desapareça da região de mata atlântica no estado do Rio de Janeiro.

Segunda opção

A caça dos macacos possui uma série de consequências negativas, algumas delas atingindo o próprio ser humano. Além de atuar como uma espécie de “mensageiro” da febre amarela, o macaco é a primeira opção do mosquito para se alimentar. A segunda, somos nós.

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Os mosquitos que transmitem a febre amarela, dos gêneros Haemagogus e Sabethes, possuem uma predileção pelo sangue de primatas. Essa predileção vem desde a pré-história, quando esses mosquitos se alimentavam do sangue de grandes mamíferos, que foram extintos.

Dessa forma, os mosquitos se adaptaram e passaram a se alimentar do sangue dos primatas mais próximos, os macacos. Se o número de macacos diminui, os mosquitos irão buscar alimento em outros lugares, encontrando no ser humano uma segunda opção de alimento.



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