Noma: a assustadora doença que desfigura os mais pobres do mundo

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As populações mais pobres do mundo estão sujeitas a uma série de doenças. A mais assustadora delas é uma infecção denominada noma, que desfigura milhares de pessoas em todo o mundo. A doença tem origem desconhecida e literalmente corrói todos os tecidos do corpo, incluindo ossos, sempre na região da face. Por ocorrer em áreas de pobreza extrema, é geralmente negligenciada.

O nome da doença descreve sua atuação. ‘Noma’ significa ‘devorar’ em grego e é exatamente isso que a infecção provoca. O diagnóstico começa com úlceras na gengiva, que logo evoluem para necrose e nenhum tecido do corpo é poupado. A taxa de mortalidade é de 90% e os poucos que sobrevivem ficam desfigurados para o resto da vida. Cerca de 140 mil diagnósticos são feitos a cada ano.

Os infectados exalam um cheiro desagradável e sua condição os leva a serem isolados. “Normalmente tendem a ser afastados da vida cotidiana, sendo escondidos ou isolados com os animais. Porque, muitas vezes, as gangrenas são consideradas um sinal demoníaco ou uma maldição para a família”, explica María García Moro, especialista em doenças tropicais da Universidade de Salamanca, na Espanha.

A doença foi descrita pela primeira vez por um médico holandês em 1595 e era relativamente comum na Europa até o século XIX. Casos de noma foram registrados em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e uma mulher espanhola foi infectada em 2010, em decorrência da AIDS. Mas o problema se concentra de fato na África.

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A doença da pobreza

O noma tem mais ocorrência em uma área que corta o continente africano indo do Senegal até a Etiópia, no que ficou conhecido como o “cinturão do noma”. A origem da doença é desconhecida, mas os dados demográficos indicam que a pobreza extrema é o maior fator de risco, provavelmente associada à desnutrição e falta de saneamento básico.

Estudos recentes realizados no primeiro hospital do mundo dedicado somente ao tratamento do noma, localizado em Sokoto, na Nigéria, indicam que infecções prévias podem ter um papel importante na gênese da doença, principalmente o sarampo.



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