Sonda Cassini chega à sua missão final, para fazer mais descobertas sobre Saturno

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Com seu combustível chegando ao fim, a sonda Cassini começou a fase final e mais ousada de sua missão até o planeta Saturno. Após voar pela última vez até a lua Titã, para ganhar velocidade, a Cassini mergulhou entre a atmosfera e os anéis de Saturno, de acordo com a NASA.

A jornada terá final em 15 de setembro, quando a Cassini irá se chocar contra a atmosfera de Saturno. Não há mais volta, já que a sonda entrou em uma “trajetória balística” e seu destino está selado, disseram os cientistas da NASA. Esse final foi escolhido como forma de prever qualquer tipo de contaminação para as luas potencialmente habitáveis do planeta.

A Cassini foi lançada em outubro de 1997, e foi uma parceria entre a NASA, a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Italiana. A sonda está na orbita do gigante gasoso desde 2004, e desde então, já forneceu diversos dados e observações sobre Saturno, seus famosos anéis e suas luas.

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Missões de longa duração, como a da Cassini, são fundamentais para estudar um planeta massivo como Saturno. 13 anos, inclusive, é considerado pouco tempo para explorar um mundo que leva 29 anos para dar uma volta ao redor do sol, garantem os cientistas responsáveis pela missão.

Durante a missão, os cientistas puderam observar com mais precisão as ferozes tempestades na turbulenta atmosfera de Saturno, estudar a densa atmosfera da lua Titã e até mesmo observar as mudanças climáticas das estações no planeta.

Saturno ainda é um mistério

Apesar de todos os dados e observações obtidas por Cassini, ainda existem muitas perguntas sem resposta sobre Saturno. Essa missão final da sonda pode oferecer mais algumas informações e as maiores descobertas da missão, que já dura 20 anos.

“Nós vamos a um lugar que nós jamais fomos, e acreditamos que as maiores descobertas devem acontecer agora”, disse Linda Spilker, umas das responsáveis pela missão Cassini.

Por exemplo, a duração de um dia em Saturno ainda é desconhecido. O eixo de rotação do planeta e o eixo de seu campo magnético são paralelos, o que dificulta a medição de quanto tempo o núcleo do planeta leva para completar uma rotação. Mas agora que a Cassini irá passar bem perto de Saturno, ela será capaz de medir pequenas alterações na escala magnética do planeta, algo que irá revelar a duração de um dia saturniano, bem como sua estrutura interna.

Além disso, segundo Scott Edgington, um dos líderes do projeto Cassini, essa missão final também irá medir as pequenas partículas que ficam entre Saturno e seus anéis.

Essas partículas são originárias dos anéis do planeta, e esses dados podem revelar quantos materiais eles contêm, bem como sua idade, disse Edgington. Com essas informações, os cientistas podem testar modelos de formação planetária que podem revelar como os planetas evoluíram e como suas luas agregaram materiais.

Proteger Encélado e Titã

Para a missão final da Cassini, os cientistas tomaram as medidas necessárias para garantir que as luas de Saturno não fossem contaminadas por micro-organismos da Terra. “A NASA possui algumas regras sobre não contaminar qualquer local que possa ser habitável”, disse Edgington.

Apesar de engenheiros colocarem grandes esforços na esterilização de naves e satélites espaciais antes de seus lançamentos, pesquisadores descobriram que algumas bactérias conseguem sobreviver por longos períodos em condições extremas. E que alguns micro-organismos da Terra podem estar no interior dos componentes da Cassini.

Encélado
Encélado

Assim, a NASA optou por incinerar a Cassini no final de sua missão, para assim reduzir o riscos desses micro-organismos contaminarem as luas Encélado e Titã, que os cientistas acreditam serem os melhores lugares em nosso sistema solar para procurar vida.

Em 2005, a sonda Huygens se chocou contra a superfície de Titã, e já obedecia todas as regras de proteção planetária. Mas desde que Cassini começou a estudar Saturno, ficou claro que a atmosfera de Titã possuía potencial habitável.

O potencial habitável e as regras de proteção planetária de Encélado são maiores que as de Titã, mas garantir que a Cassini não se choque contra nenhuma das duas luas é um bônus, garantem os cientistas.

Encélado é uma pequena e congelada lua que poderia caber dentro do estado do Novo México, nos EUA. Mas graças a Cassini, descobriu-se recentemente que Encélado possui um oceano com água líquida por debaixo de sua superfície. A sonda pode coletar algumas amostras da água, e revelou que a lua possui moléculas orgânicas compostas por carbono.

Também foi descoberto que existem interações químicas entre o núcleo rochoso da lua e a aquecida água que o cerca. Essas interações são semelhantes com as condições das chamadas fontes hidrotermais da Terra, local no qual os micro-organismos utilizam o hidrogênio molecular para conseguirem energia.

Titã
Titã

Já Titã é a maior das 62 luas de Saturno. Ela possui uma densa atmosfera rica em nitrogênio, com uma superfície coberta por hidrocarbonetos (compostos químicos constituídos por átomos de carbono e de hidrogênio). Apesar de ser muito fria e possuir mares e lagos compostos por metano e etano no estado líquido, cientistas acreditam que Titã possui muito em comum com a Terra, antes da vida surgir em nosso planeta.

Fonte: Space.com
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