Dia das Mulheres é marcado pelo aniversário de 110 anos de Maria Bonita

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O Dia Internacional das Mulheres – que ocorre em 8 de março – é fortemente marcado no Brasil pelo nascimento da primeira mulher com força e ousadia o suficiente para entrar em um grupo de cangaceiros. A personagem destaque da história completaria 110 anos em 2021.

Natural da cidade de Paulo Afonso na Bahia, Maria Gomes de Oliveira, mais conhecida como Maria Bonita, possuía uma vida atípica para a época. Aos 15 anos era casada com um primo sapateiro e já se sentia frustrada com a realidade que vivia.

Símbolo de poder e resistência, Maria Bonita entrou para a história após trocar a vida comum de uma dona de casa para se entregar por noves anos ao cangaço ao lado de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião – ou como é mais conhecido: Rei do Cangaço –, com quem casou-se posteriormente.

Maria Bonita e Lampião tiveram uma filha chamada Expedita Ferreira Nunes que foi criada posteriormente por amigos vaqueiros de fora do bando, já que lá não era permitido a presença de crianças. Maria chegou a engravidar outras vezes, mas sofreu abortos espontâneos.

O casal referência quando o assunto é cangaço brasileiro esbanjava muitas joias caras que foram roubadas no sertão pelo Lampião à sua amada e usavam loção francesa para se perfumar, além de possuir punhais luxuosos de prata, marfim e ônix. Também foram responsáveis pela criação de identidade estética do cangaço, confeccionando peças e bordados que marcaram a década de 1930.

Apesar de ser considerada empoderada e transgressora, Maria estava muito longe de ser feminista. A cangaceira não só ajudou a torturar as vítimas de seu companheiro, como também apoiava o assassinato de mulheres adúlteras.

Além disso, Maria Bonita vivia sob regras do sertão nordestino, que por sua vez possuía o pensamento machista de que mulheres eram coadjuvantes e não sabiam atirar. Entretanto, o grupo funcionava por divisão de tarefas e funções básicas de uma casa eram obrigações de todos, independente de gênero.

A morte violenta de Maria Bonita

Maria Bonita não resistiu após ser baleada de forma impiedosa no abdômen por policiais no esconderijo do bando, localizado no sertão de Sergipe, e faleceu em 28 de julho de 1938. Seu marido, Lampião, e outros nove cangaceiros também foram dizimados durante o ataque surpresa.

Seu corpo foi abandonado com as pernas abertas com um pedaço de madeira enfiado na vagina pelos soldados, enquanto sua cabeça – e a dos outros cangaceiros – seguiram caminho rumo a uma exposição pública em Maceió.

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