Salários baixos e temas pesados: os segredos dos moderadores do Facebook

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Propagada pelo Facebook como solução para resolver problemas como discurso de ódio em sua rede social, a moderação de conteúdo tem causado forte impacto psicológico e social nos profissionais responsáveis por definir se o conteúdo de uma publicação no site é ou não apropriado.

Segundo o site especializado em tecnologia The Verge, que publicou reportagem sobre o tema, muitos trabalhadores terceirizados que moderam conteúdo para o Facebook têm sofrido com estresse pós-traumático e começaram a abraçar os pontos de vistas dos conteúdos que supervisionam – um ex-funcionário, por exemplo, disse que não acredita mais que o 11 de Setembro foi um ataque terrorista.

Além disso, o ambiente de trabalho seria altamente estressante. Os empregados podem ser demitidos após cometerem meia dúzia de erros em uma semana. Há quem tenha medo de ex-colegas se vingarem após uma demissão – um deles diz levar uma arma para o trabalho todos os dias. Os horários de ida ao banheiro também são controlados e dois funcionários muçulmanos foram orientados a parar de rezar em seu período de “bem estar diário”, de nove minutos.

É um contraste para os escritórios do Facebook, cheio de benefícios para os empregados. A diferença também se dá no salário: cada empregado terceirizado ganha cerca de US$ 15 por hora, ou só US$ 4 a mais que o salário mínimo no Arizona. Cerca de mil pessoas moderam conteúdo para o Facebook no Estado; no mundo, são cerca de 15 mil pessoas. A reportagem ainda destaca a responsabilidade desses profissionais em “filtrar” o que deve estar ou não na rede social – uma função que não combina com o salário baixo.

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Maconha e sexo

Segundo o The Verge, é comum que os moderadores fumem maconha durante o dia para compensar o estresse de lidar com temas como suicídio ou pedofilia. Um dos empregados contou ao site que já encontrou colegas fazendo sexo em uma área reservada para lactantes – ele descreveu a experiência como “ligação emocional causada pelo trauma diário”.

A reportagem também descreve a experiência de uma funcionária em treinamento sofrendo um ataque de pânico depois de ver um vídeo com um homem morrendo. Ao procurar a ajuda de um conselheiro psicológico, ele disse a ela para não se preocupar. “Você consegue fazer o trabalho”, teria dito o consultor.

Após a publicação da reportagem, o vice-presidente de operações do Facebook, Justin Osofsky, disse que a empresa “está comprometida em melhorar o apoio aos funcionários terceirizados. O executivo, porém, defendeu as parcerias. “Essas empresas têm competência e podem nos ajudar a fazer um trabalho com visão regional e conhecimento de idiomas”, disse.

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