O quão realmente sujos são os banheiros públicos?

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Banheiros públicos podem ser um pouco sujos, mas eles são lugares improváveis que representem uma grande ameaça para a sua saúde. A maioria das bactérias que podem trazer qualquer perigo para as pessoas perecem rapidamente em superfícies estéreis.

Segundo Jack Gilbert, um microbiologista do Laboratório National Argonne em Illinois, banheiros públicos não são tão perigosos assim. Os organismos que podem crescer neste ambiente têm uma probabilidade muito baixa de serem capazes de causar uma infecção.

O ecossistema do banheiro

Em um recente estudo sobre Microbiologia Aplicada e Ambiental, Gilbert e uma equipe de pesquisadores rastrearam por horas e dias, microbiomas de quatro banheiros universitários.

Além de seguir as bactérias encontradas nestes ambientes, os pesquisadores também analisaram amostras únicas e encontraram uma variedade de formas de vida microscópicas. Eles relataram que conseguiram descobrir 19 filo de bactérias em 12 banheiros no campus da Universidade do Colorado em Boulder. Cerca de 92% destas bactérias provinham de quatro filos associados a humanos (grupos taxonômicos acima das classes, mas abaixo dos reinos): Actinobactérias (encontradas principalmente na pele), Bacteroidetes, Firmicutes e Proteobacterias (todas encontradas no intestino).

Sem nenhuma surpresa, as bactérias Actinobactérias (associadas à pele), foram encontradas em áreas frequentemente tocadas pelas mãos: portas, lavabos, torneiras e frascos de sabão. Já as bactérias Firmicutes e Bacteroidetes (associados ao intestino), foram mais predominantes nos puxadores e assentos, provavelmente devido a contaminação fecal por contato direto. As bactérias de Lactobacillus (associadas com o microbiome vaginal), foram mais geralmente encontradas nos banheiros femininos (obviamente).

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As amostras que foram colhidas, oferecem apenas um instantâneo de que tipo de bactéria as pessoas tem espalhado nestes ambientes, e não que tipo de bactérias podem realmente prosperar por lá. Antes de esterilizar os locais para começar com um ambiente limpo, Gilbert e seus colegas colheram amostrados do jeito que o banheiro se encontrava, em seguida, eles permitiram que o banheiro fosse usado por 4 horas, em seguida, eles fecharam os banheiros pelo resto do dia para ver como a variedade bacteriana mudaria com o tempo.

As pessoas trazem um monte de bactérias para banheiros. Dentro de uma hora de uso normal, em média, haviam mais de 500 mil células bacterianas por polegada quadrada sobre as superfícies do banheiro.

Segundo Gilbert, a carga bacteriana espalhada pelas pessoas que usam estes espaços é extraordinariamente alta.

Mas quando deixadas intactas, muitas dessas bactérias rapidamente pereceram. Especialmente, as bactérias associadas ao intestino, que não se dão bem em tolerar oxigênio, frio ou falta de nutrientes. Pois as superfícies arejadas, secas e estéreis de banheiros, pisos e utensílios de banheiro estão bem distantes do intestino grosso, que é seu lugar preferido, por ser quente, úmido e rico em nutrientes.

Já as bactérias da pele apresentaram melhor sobrevivência. Algumas das bactérias sobreviventes tinham o potencial de serem patogênicas (que podem causar doenças). A bactéria Staphylococcus Aureus associada à pele, por exemplo, persistiu por mais tempo nas superfícies do banheiro. Mas essa bactéria se encontra presente na pele de cerca de um em cada cinco pessoas e, geralmente, causa problemas apenas quando as pessoas estão imunocomprometidas ou têm feridas abertas.

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Existem organismos que se entrarem em contato com uma ferida exposta, eles podem “colonizar” a ferida causando uma infecção.

Espaços seguros

Em última análise, a higiene, a saúde pública e a vacinação, tornaram significativamente menos provável que você se contamine com um perigoso patógeno mesmo em banheiros públicos. Em teoria, um vírus como a Hepatite A poderia ser transmitido através de material fecal, se uma pessoa tocar em um puxador do banheiro contaminado e depois levar a mão a boca sem lava-la. Mas a maioria das pessoas são vacinadas contra Hepatite A no 1° ano vida.

Relatos de pessoas que foram infectadas em um banheiro público são raros. Um estudo publicado pelo jornal The BMJ em 2003, relatou a história de uma menina de 8 anos de idade que contraiu uma infecção gonorreia de um banheiro. Os médicos concluíram que ela provavelmente contraiu a infecção ao limpar um assento sujo em um banheiro de avião com papel higiênico, sujando sua mão e depois se limpando com a mesma mão.

Em 1989, um estudo publicado pela revista The Lancet, concluiu que os banheiros comunitários podem ser uma fonte de transmissão de doenças em cruzeiros durante os surtos de Norovírus (uma doença gastrointestinal altamente contagiosa). O estudo, no entanto, descobriu que a transmissão por contato (pessoas tocando partículas virais nas superfícies), foi a causa mais provável da disseminação do vírus nos banheiros comunitários destes cruzeiros.

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Estudos experimentais sugerem que dar descarga em um vaso sanitário com a tampa levantada, pode criar uma nuvem de bactérias potencialmente infecciosas, mas não há nenhum exemplo comprovado de doenças sendo transmitidas desta forma. Em 2003, um surto de uma doença respiratória contagiosa (SARS) num edifício de apartamentos em Hong Kong, foi causado por tubulações contaminadas com diarreia no sistema de ar de um edifício. Mas nesse caso, não foi a descarga do vaso sanitário que espalhou o vírus, mas sim os exaustores do banheiro que puxaram o ar contaminado para outros apartamentos no prédio.

Em última análise, “os únicos lugares que vemos transferência significativa de doenças em uma base regular, são ambientes hospitalares, porque as pessoas nesse ambiente, normalmente, estão com sua imunidade baixa. Para pessoas saudáveis, há muito com que se preocupar em um banheiro público”, diz Jack Gilbert.

Durante anos temos sido quase condicionados a aceitar que mais bactérias são ruins, e isso não é verdade, diz Gilbert. Não há nenhuma evidência para apoiar essa conclusão… Nossa obsessão com esterilização e limpeza, nos condicionou a isso.

Em todo caso, o melhor a se fazer, é sempre lavas as mãos, assim você estará evitando qualquer tipo de contaminação, por mais simples que ela possa ser.

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