Quem foi Luzia? Conheça a mulher mais antiga das Américas

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O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro teve entre suas perdas aquela que é considerada a habitante mais antiga das Américas. Luzia viveu há mais de 10 mil anos e o estudo de seus ossos permitiu que entendêssemos melhor nossas origens e como a humanidade se desenvolveu do lado de cá do planeta, até chegar ao ponto em que se encontrava quando os conquistadores europeus chegaram por aqui.

O crânio carinhosamente batizado de Luzia pelos pesquisadores foi encontrado na região de Lagoa Santa, a cerca de 50 quilômetros de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, ainda na década de 70. Estudos posteriores traçaram sua idade, aproximadamente 11 mil anos, mas foi através da genética que Luzia revolucionou o modo como se entende a chegada dos seres humanos ao continente americano.

Fisicamente, Luzia tinha poucas das características que hoje conhecemos como tipicamente indígenas. Na verdade, o formato de seu crânio e outras análises a colocam muito mais próxima de povos da África ou de aborígenes da Austrália e de algumas ilhas do oceano Pacífico. Basicamente, Luzia era uma mulher negra.

A principal hipótese difundida no meio científico hoje é que o povo de Luzia, chamado pelos pesquisadores de “paleoíndios”, tenha chegado à América através do Estreito de Bering, que há 15 mil anos podia ser atravessado a pé. Eles seriam basicamente os primeiros Homo sapiens que surgiram na África e se espalharam por toda a Ásia e atingiram a América pelo norte, descendo até o cone sul.

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Ancestrais dos ancestrais

O povo de Luzia provavelmente fazia parte da primeira leva seres humanos que chegou aqui e que pouco ou nada tem a ver com os índios modernos. Esses seriam descendentes de uma segunda onda migratória que veio diretamente do norte da Ásia, já com características mais próximas do que conhecemos, como os conhecidos olhos puxados, que os indígenas compartilham com os asiáticos do leste.

Não se sabe se os paleoíndios de Luzia se misturaram ou foram derrotados pelos novos habitantes, deixando assim poucos vestígios. A única certeza é que a descoberta da mulher mais velha das Américas foi crucial para entender melhor os antigos fluxos migratórios em nosso continente e que a perda do crânio e de tantos outros verdadeiros tesouros que estavam guardados no Museu Nacional  é simplesmente irreparável.



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