Será que devemos mesmo enviar mensagens ao espaço?

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Defensores da busca por inteligência extraterrestre dizem que já deveríamos ter enviado mensagens ao espaço. Mas outros pesquisadores querem ir com calma e buscar um consenso internacional antes de revelar nossa existência para o “resto” do universo. Então, o que deve ser feito?

Douglas Vakoch
Douglas Vakoch

Douglas Vakoch, diretor de composição de mensagens interestelares do Instituto SETI, em Mountain View, Califórnia, não descarta a necessidade de considerar questões éticas ou políticas, mas diz que será difícil chegar a um consenso sobre enviar mensagens através de sinais de rádio para o espaço.

Já o astrofísico e autor de ficção científica, David Brin, diz que a quietude de sinais de rádio provenientes da Terra, não deve ser quebrada assim tão radicalmente de uma hora para outra.

Desde o começo do movimento SETI na década de 60, seu maior foco tem sido ouvir bandas de espectro eletromagnético, em busca de algo fora do comum. Em contra partida ao SETI, que tem o proposito de captar mensagens vindas do espaço, existe o METI (Mensagem para Inteligência Extra-terrestre), que tem a função oposta, que basicamente é, a de enviar sinais de rádio de proposito para o espaço, mesmo que raramente.

Cena do filme Contato 1997
Cena do filme Contato 1997

O primeiro passo foi em 1974, quando uma mensagem de rádio foi transmitida a partir do Radiotelescópio de Arecibo, no Porto Rico, em direção a uma constelação que fica a 25.000 anos-luz de distância da terra.

Radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico
Radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico
David Brin
David Brin

Segundo David Brin essa não foi a unica vez que transmissões desse tipo ocorreram. Em 2008, por exemplo, a empresa de salgadinhos Doritos, enviou um anúncio publicitário de uma estação de radar na Noruega, para um sistema de estrelas potencialmente habitável, que fica à 42 anos-luz de distância.

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Devido ao alcance do sinal emitido, se existe alguma forma de vida inteligente extra-terrestre, é bem possível que ela tenha captado o sinal, dada a longa distancia alcançada por ele.

As atuais transmissões de rádio e TV podem ser captadas a alguns anos-luz de distância, com a tecnologia de rádio telescópica que temos na Terra, mas uma teoria levantada por Douglas Vakoch, diz que uma civilização avançada poderia ter técnicas de captação muito mais avançadas do que a nossa. Mas Brin afirma que isso é apenas uma desculpa, e ainda acrescenta que muitas técnicas SETI ativas podem enviar mensagens focadas, tão poderosas que podem chegar muito mais longe do que as transmissões de rádio convencionais da Terra. Ele vê as tais mensagens SETI como apenas poluição cósmica, ao invés de exploração.

Embora não esteja preocupado com invasões alienígenas, ele acha que a hipótese de benevolência ou mesmo existência alienígena é exagerada.

Vakoch diz que o Instituto SETI não tem planos iminentes para começar a transmitir mensagens, mas acha que outras organizações não estão tomando a liderança na realização de discussões internacionais sobre o assunto. Segundo Vakoch, uma forma eficaz de transmitir mensagens, seria adicionar mensagens no curso normal da ciência planetária.

Quando o radar de Arecibo é usado para estudar asteroides, por exemplo, as mensagens podem ser enviadas para estrelas perto da linha de visão de um asteroide, sem muito esforço adicional. Qual seria o conteúdo destas mensagens? Seth Shostak, astrônomo do Instituto SETI, quer que toda a Internet esteja nas mensagens.

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Seth Shostak
Seth Shostak

Já Vakoch, prefere algo mais modesto que transmita os desafios enfrentados pela humanidade. Brin ainda não vê uma resolução para esse debate tão cedo.

“É uma área onde há regras de opinião, e todos têm uma firme opinião.”

fonte: locklip



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