Impeachment: quais as diferenças entre Collor e Dilma?

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Pela segunda vez, um presidente do Brasil passa por um processo de impeachment após eleições diretas. O primeiro caso foi o de Fernando Collor de Mello, que governou o país de 15 de março de 1990 a 29 de dezembro de 1992. Agora, Dilma Rousseff, que está no posto desde 2011 e foi reeleita em 2014, passa pelo mesmo processo, podendo ser impedida de exercer o cargo de presidente da República de acordo com a decisão de votações do Congresso Nacional.

As situações, separadas por mais de 20 anos, guardam diferenças e semelhanças bem típicas. A lista abaixo explicita algumas delas:

Medidas impopulares iniciais

Fernando Collor e Dilma Rousseff, em cerimônias de posse nos anos de 1990 e 2015 (Fotos: Wikimedia e Agência Senado)
Fernando Collor e Dilma Rousseff, em cerimônias de posse nos anos de 1990 e 2015 (Fotos: Wikimedia e Agência Senado)

O início do mandato de Fernando Collor foi parecido com o começo do segundo mandato de Dilma Rousseff. Ambos tomaram medidas impopulares, em meio a uma recessão, para tentarem retomar o crescimento.

Entre as atitudes de Collor, a principal foi um confisco de depósitos bancários superiores a 50 mil cruzeiros, por um prazo de 18 meses. A ideia era reduzir a quantidade de moeda em circulação. Dilma não teve nenhum ato de destaque – o conjunto de medidas é que chamou a atenção. A presidente adotou um plano de austeridade fiscal e impôs regras mais rígidas para aposentadorias, interrupção de projetos de desenvolvimento social e aumento de impostos que se refletiram na aquisição de itens básicos, como energia elétrica e gasolina.

Corrupção

Veículos de imprensa divulgaram denúncias aos presidentes (Fotos: Reprodução / Revista Veja)
Veículos de imprensa divulgaram denúncias aos presidentes (Fotos: Reprodução / Revista Veja)

Os escândalos de corrupção marcaram tanto o mandato de Fernando Collor quanto o de Dilma Rousseff. As denúncias que “entregaram” Collor foram feitas por pessoas que não exerciam nenhum cargo em seu governo – inclusive, de seu próprio irmão, Pedro Collor. Já com Dilma, houve um efeito dominó: primeiro foram sete ministros, substituídos em 2011 após supostos casos de corrupção; depois, a própria presidente foi afetada com descobertas de irregularidades relacionadas à Petrobras; e, enfim, escândalos mostrados por investigações feitas pela Operação Lava Jato.

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Collor começou a ser denunciado ainda em 1991, após a imprensa divulgar que pessoas próximas do ex-presidente estavam envolvidas em escândalos de corrupção. O esquema foi divulgado em 1992, após Pedro, irmão de Fernando, conceder uma entrevista à revista Veja para fazer as revelações.

Com o auxílio de seu tesoureiro, Paulo César “PC” Farias, Fernando Collor desviava verbas públicas e realizava tráfico de influência política. A gota d’água foi a descoberta de um cheque de uma conta fantasma de PC Farias, utilizado para comprar um carro da marca Fiat Elba e para reformar a Casa da Dinda, residência oficial do presidente. O impeachment já era inevitável. Quatro anos depois, em 1996, PC Farias foi encontrado morto, aos 50 anos – na versão oficial, sua namorada, Suzane Marcolino, o matou e depois cometeu suicídio.

A rejeição popular contra Dilma Rousseff começou a ganhar corpo no ano de 2013, antes da realização da Copa das Confederações. As acusações na imprensa de que estádios de futebol estavam superfaturados, enquanto investimentos em saúde e educação estavam escassos, fez com que Dilma se tornasse alvo das manifestações da época, chamados de “Jornadas de Junho” e inicialmente realizados para protestar contra o aumento das passagens de ônibus.

Em 2014, denúncias relacionadas à Petrobras vieram à tona e envolveram políticos da base governista aliada de Dilma Rousseff. As investigações tiveram curso e a situação se agravou após o início do segundo mandato da presidente, em 2015. O processo de impeachment ganhou força após a revelação das “pedaladas fiscais” (atrasar de forma proposital o repasse de dinheiro para bancos e autarquias para melhorar artificialmente as contas federais), uso de dinheiro lavado em campanhas eleitoral e o episódio em que Dilma ofereceu um cargo em seu governo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investigado na Operação Lava Jato, para evitar sua prisão e passar a ter foro privilegiado.

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Processo de impeachment

Fernando Collor deixa a presidência, no fim de 1992 (Foto: Wikimedia)
Fernando Collor deixa a presidência, no fim de 1992 (Foto: Wikimedia)

Há semelhanças entre o processo de impeachment sofrido por Fernando Collor e o que está sofrendo Dilma Rousseff. A CPI que julgou Collor foi instaurada em 27 de maio e o resultado saiu em 29 de setembro, que resultou em seu afastamento. Ele renunciou em 29 de dezembro, horas antes de ser condenado. O vice-presidente, Itamar Franco, assumiu o posto.

Já o processo que julga Dilma foi acolhido em 2 de dezembro de 2015, com autorização para criação de CPI no dia seguinte e resultados concretos começando a sair em abril de 2016. O desenrolar da situação da atual presidente tem demorado um pouco mais porque, entre outros motivos, há outros escândalos de corrupção envolvendo, inclusive, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – responsável por acolher o pedido de impeachment. Com Collor, foi tudo mais rápido.

Consenso da população

Manifestações que pediam o impeachment de Fernando Collor (esq.) e de Dilma Rousseff (dir.) (Fotos: Agência Brasil)
Manifestações que pediam o impeachment de Fernando Collor (esq.) e de Dilma Rousseff (dir.) (Fotos: Agência Brasil)

Uma das diferenças cruciais entre o impeachment sofrido por Fernando Collor e o processo que passa Dilma Rousseff atualmente é o consenso da população. Enquanto boa parte dos cidadãos brasileiros concordava que Collor devia sair do cargo, com Dilma o assunto é um pouco mais complexo.

Isso acontece porque, na saída de Collor, quem assumiu foi Itamar Franco, político que já era conhecido e tinha a confiança de boa parte da população, por ter sido senador e governador pelo estado de Minas Gerais. Já Michel Temer, que será presidente caso Dilma Rousseff seja impedida de continuar no cargo, foi deputado federal por São Paulo e presidente da Câmara dos Deputados entre 1997 e 2001 e entre 2009 e 2010.

Além disso, a rejeição política no início da década de 1990 era contra Fernando Collor e sua base governista. Já nos dias de hoje, em função das inúmeras denúncias de corrupção, a população demonstra não ter confiança em ninguém – tanto que as pesquisas mais recentes indicam que os cidadãos também gostariam de ver o impeachment de Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara e terceiro na linha de sucessão do governo atual. Atualmente, o povo quer mudanças, mas tem receio de praticamente todos os políticos envolvidos no cenário atual.

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Por outro lado, a rejeição ao governo de Dilma Rousseff parece ser maior em função do número de manifestações populares que ocorreram – em 2015, três delas aconteceram antes da oposição política se mobilizar contra o mandato da petista. Já no caso de Fernando Collor, os protestos só vieram depois que os políticos começaram a se declarar favoráveis à saída dele.

Detalhes

Manifestação em apoio a Dilma Rousseff (Foto: Agência Brasil)
Manifestação em apoio a Dilma Rousseff (Foto: Agência Brasil)

A postura do Supremo Tribunal Federal (STF) em ambos os casos é um detalhe interessante. À época do impeachment de Fernando Collor, o presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, teve autonomia para formular as regras da tramitação. No ano passado, Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara, não teve autonomia. “O prestígio pessoal de Cunha é muito baixo na Corte”, afirmou Brasilio Sallum Júnior, professor da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao site da revista Época.

A força política de Fernando Collor e de Dilma Rousseff é um detalhe interessante nessa situação – e há diferenças gritantes nesse caso. Collor era filiado ao PRN, um partido “nanico”, e dependia de coligações para se manter no poder. Já Dilma é do PT, que, apesar de atualmente estar impopular, é um dos partidos mais fortes do Brasil, com poder, especialmente, sobre movimentos sociais.

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Discussion5 Comentários

  1. A diferença é que os manifestantes Pró-impeachment são pessoas suprapartidárias e que realmente vão para as ruas para defenderem a pátria ,são voluntários.são pessoas que estão na rua, sabendo o que estão defendendo, enquanto os manifestantes do PT não são manifestantes na sua maioria. São figurantes. São pessoas de baixo poder aquisitivo, que são pagos por centrais sindicais para dar volume as manifestações. Para mim, isso faz uma tremenda diferença. Quando você pergunta por que estão lá, coitados, não sabem. dizem que foram pagos para gritar Dilma, e fora golpe e por causa do dinheiro eles foram.
    O PT é um partido que quebrou o país. E as centrais sindicais que estão por trás, estão levando vantagem com este governo. E infelizmente existem também a geração universidade que são manipulados pelos pseudos intelectuais, ou seja, os professores(com raras exceções) dentro das faculdades. Por estarem na faixa etária entre adolescência e idade adulta, são mais fácil de ser induzidos, l de “fazer a cabeça”,. com isso saem de lá pregando a ideologia esquerdista.

  2. Acredito que todos têm o direito de se manifestar e de reclamar contra o governo e companhia, mas, acredito também, que quando se luta por algo como tirar a presidente do seu posto, deve se apresentar ideias ou soluções. E aí? O que será feito? Tirar a presidente e deixar que o vice assuma? Da mesma forma que há uma insatisfação considerável em relação a presidente, há também em relação ao vice. Novamente pergunto, e aí? O que se há de fazer? Infelizmente no momento não há uma solução plausível para as questões políticas do país. Esse governo “transparente” que sonhamos, infelizmente é algo utópico…

  3. Eu quero saber quando vão começar a investigar os casos de tortura psicotronica no Brasil

    Organização criminosa utiliza dispositivo de envio de voz para o crânio humano para torturar pessoas, o equipamento permite a escuta e o monitoramento dos pensamentos e a transmissão de sons da fala para o cérebro da vítima. Os criminosos utilizam uma conexão através de micro – ondas invisível com os cérebros das pessoas, proporcionando o acompanhamento constante e vigilância silenciosa. Eles podem ouvir o que ouvimos, vemos e até mesmo ler nossos pensamentos, vigilância total de qualquer um, em qualquer lugar do país. Esta arma está sendo usado como instrumento de tortura não rastreável e arma não letal. Ao interagir com o cérebro, os operadores podem transmitir sons inexplicáveis, vozes, imagens, cheiros e gostos, e causar numerosas dores e sensações por todo o corpo. Estas incluem a sensação de corrente elétrica e as vibrações zumbido nos ouvidos sensação de clicks intracraniano. As vítimas são submetidas a privação do sono e intensa tortura física e psicológica em uma tentativa de empurrá los ao suicídio ou violência. Exausto desorientado e apenas tentando sobreviver a tortura, as vítimas são extremamente vulneráveis a qualquer coisa. Esse aparelho de perseguição organizada está sendo usado contra cidadãos brasileiros desde a década de 1980 e tem a capacidade de acompanhar, monitorar, assediar e ameaçar pessoas em todo o país. Seus números e enorme alcance sugerem o envolvimento do governo e de financiamento, possivelmente, parte do vasto aparato de segurança interna com ligações com o crime organizado utilizando táticas semelhantes à nazistas. Milhares de pessoas em todo o mundo são vítimas de perseguição organizada e tortura e tem os seus direitos constitucionais e humanos sob ataque suas carreiras relacionamentos saúde e vidas destruídas atrocidades indescritíveis estão sendo cometidas crimes contra a humanidade tal como definido pelas Nações Unidas. Leiam o texto da Dra.Rauni – Leena sobre Implantes de Microchip e Cibernética. https : / / sites.google.com / home / controlemental / voz – intracraniana. Voice to God technology V2K voz para o crânio.
    [email protected]

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