Colonizadores de Marte podem precisar alterar radicalmente seus corpos e mentes

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Recentemente, dois astronautas terminaram quase um ano de trabalho na Estação Espacial Internacional (ISS). Depois de passarem um período relativamente longo na estação e retornarem a Terra, Scott Kelly da NASA e Mikhail Kornienko da Agência Espacial Russa, foram estudados de perto para ver as mudanças em sua saúde física e psicológica.

Promovida pela NASA, a missão faz parte de um projeto maior de “Viagem a Marte”, na qual ela espera enviar seres humanos ao Planeta Vermelho na década de 2030. Mas um artigo recente publicado na revista Space Policy argumenta que existem tantos aspectos envolvidos em uma colônia marciana que é quase impossível simular os parâmetros daqui da Terra.

Marte e seu ambiente

O Planeta Marte está situado em quarto lugar no sistema solar a partir do sol, logo após a Terra. Ele possui uma atmosfera composta por gases como: dióxido de carbono, nitrogênio, argônio, oxigênio e monóxido de carbono, e possui certas semelhanças com o nosso planeta como as estações do ano bem definidas e a duração dos dias. Com 6.794km de diâmetro, para realizar um movimento de rotação (que é uma volta completa sobre si mesmo, que define os períodos de dia e noite), Marte precisa de aproximadamente 24,6 horas, bem semelhante à Terra com suas 24 horas, já para a translação (uma volta completa ao redor do sol, que define um ano) o planeta precisa de 687 dias terrestres. Sua temperatura média é de cerca de – 63 graus, podendo, contudo, variar no verão quando chega a – 36 graus e no inverno quando atinge a faixa dos – 130 graus.

O estudo

Segundo Konrad Szocik, cientista cognitivo na Universidade de Tecnologia da Informação e Gestão em Rzeszow, Polônia e também principal autor do artigo, não podemos simular as mesmas condições físicas e ambientais para reconstruir o ambiente marciano em nosso planeta. A micro gravitação marciana ou a exposição à radiação são coisas impossíveis de simular daqui da Terra. Consequentemente, não podemos prever os efeitos físicos e biológicos dos seres humanos que irão viver nas futuras colonias em Marte.

Ele argumenta que “uma viagem unidirecional e todos os possíveis perigos envolvidos” não pode ser simulada na Estação Espacial Internacional ou mesmo no lugar mais remoto da Terra, a Antártida, que é uma zona frequentemente citada em estudos analógicos espaciais.

Szocik diz que, diferente da Antártida, onde as pessoas não dependem de suporte artificial à vida, uma viagem dessa magnitude dependerá totalmente disso para a sobrevivência da tripulação durante a viagem.

Segundo Szocik, indivíduos habituados a viver em condições difíceis seriam mais adequados para a exploração de Marte. Mas isso não quer dizer que a Estação Espacial Internacional ou a Antártida não seriam locais úteis para treinamento. Szocik diz que pode ser necessário dar um passo adiante – modificar os corpos e as mentes dos viajantes antes deles embarcarem em uma viajem ao planeta vermelho.

Ele sugere aumentar eletronicamente os sentidos humanos ou prescrever medicação que pode ajudar a diminuir as reações emocionais em um momento de crise. Claro, como exatamente fazer isso ainda é algo a se estudar, não é tão “simples” como as obras de ficção científica fazem parecer.

Szocik diz estar muito preocupado em como uma colônia marciana funcionaria. Enquanto a maioria das discussões sobre as colônias se concentram basicamentenos desafios tecnológicos ou financeiros de construí-la e mantê-la, existem poucos estudos sobre os aspectos sociais de colocar pessoas dentro de uma colônia marciana.

O ser humano é um animal social e vive em um grupo. Problemas de grupo afetam muitos desafios e questões, e precisamos considerar como podemos evitar problemas humanos típicos, como conflitos, guerras, enganação e etc..
– Konrad Szocik

Szocik também está preocupado com a reprodução em Marte, que não só precisa de um sistema de suporte tecnológico e médico adequado, mas também de uma colônia grande o suficiente para evitar o risco de consanguinidade, que pode ser prejudicial na colonização de Marte. Ele sugere uma população de pelo menos 500 adultos na superfície marciana. Além disso, os oficiais médicos também precisão estar preparados para reduzir a taxa de mortalidade proveniente de prováveis doenças, possíveis falhas tecnológicas e da radiação do ambiente marciano, entre outros fatores.

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