Conheça o perfil do vigia responsável pelo incêndio em creche de Janaúba

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Na semana passada, o Brasil inteiro ficou em choque a com notícia de que o vigia Damião Soares Santos, de 50 anos, ateou fogo em diversas crianças, e em si mesmo, em uma creche da cidade de Janaúba, no norte de Minas Gerais. Até o momento, 11 pessoas morreram, sendo 9 nove crianças e uma professora, além do próprio responsável.

Damião era um homem pacato, que não chamava muito a atenção, gostava de conversar e também vendia picolés. Então, o que fez com que o homem cometesse tamanha atrocidade contra um grupo de crianças?

Família, problema e abalo

Damião era o filho caçula de uma família humilde, composta por sete mulheres e quatro homens. Segundo sua irmã, Maria Alexandrina, mesmo sendo simples, a família era “muito unida, trabalhadora e de coração bom”. Ele não se casou e nem teve filhos.

Além de vender picolés, que eram de fabricação própria, Damião era funcionário da Prefeitura de Janaúba desde 2008 e trabalhava como vigia noturno na creche Gente Inocente, local onde aconteceu a tragédia. De acordo com o prefeito Carlos Isaildon Mendes, o homem nunca apresentou nenhum problema e estava afastado do trabalho desde julho, por questões de saúde.

Maria alegou que o irmão apresentava problemas “de cabeça” há três anos, desde que o pai faleceu. “Ele falava que a gente estava envenenando as coisas deles. Ele saiu da casa da mamãe, foi morar sozinho”, disse. Nesse período, a família praticamente não teve contato com ele.

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Maria também foi a única pessoa da família que lidou com os trâmites do sepultamento do irmão, mas nem ela e os demais parentes do vigia compareceram ao seu enterro, por medo de represálias da população de Janaúba. Tanto que seu corpo foi sepultado em um horário diferente das demais vítimas da tragédia.

“Quero pedir muitas, muitas desculpas a todas as famílias. Só peço que as pessoas entendam que a família de Damião não é culpada. Está todo mundo muito abalado. Estamos orando, pedindo paz e harmonia para todas as famílias”, disse Maria.

Crime premeditado

Dias antes do ataque, Damião reaproximou-se da família: conheceu um sobrinho de 3 anos que ainda não tinha visto e passou suas duas últimas noites na casa da mãe.

Damião escolheu justamente o aniversário da morte do pai para executar o ataque na creche. Por conta disso, o delegado Bruno Fernandes afirma que o ato foi “arquitetado” e “premeditado”, também levando em conta outros fatores: foram encontrados galões de gasolina na casa do vigia e ele chegou a dizer para a família que iria morrer e dar aos familiares esse “presente.”

“Não foi um surto. Ele fez por perversidade. Por covardia, resolveu se autoimolar e levar junto quem tinha pela frente. E foi tudo premeditado, até a data escolhida. Foi uma forma que ele achou de chamar atenção”, disse o delegado, que já descartou a hipótese de Damião ter tido um surto psicótico.

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Ainda assim, Bruno afirma que Damião possuía algum transtorno psiquiátrico. “Ele tinha uma síndrome de perseguição. Achava que as pessoas estavam perseguindo-o para matá-lo envenenado”, explicou.

Na casa de Damião, que segundo o delegado, estava em condições insalubres e bastante suja, foram encontrados, além dos galões de gasolina, algumas anotações confusas a respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A Polícia Civil acredita que Damião também possuía alguma afinidade por crianças. “Ele gostava muito de crianças. Fabricava picolé e vendia ou às vezes até dava para as crianças na rua”, explicou o delegado.

As investigações sobre o que teria levado Damião a cometer tal ato já estão em andamento. Mas pode ser que os verdadeiros motivos jamais venham à tona. “O que levou ele (Damião) a fazer isso? É uma coisa que a gente quebra a cabeça pra tentar entender”, disse Jucimar Franco, que mora em frente à creche Gente Inocente e ajudou no resgate das crianças.

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