Como a imprensa pode colaborar na prevenção ao suicídio

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O ator Flavio Migliaccio, 85 anos, cometeu suicídio e deixou uma carta, que acabou sendo publicada pela grande mídia. Será que isso era a coisa certa a se fazer?

Em tempos de pandemia e isolamento, é esperado que haja também um aumento em tentativas de suicídio e a imprensa, responsável por transmitir ao mundo os principais acontecimentos, pode ter um papel crucial na prevenção desse problema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) oferece workshops e manuais para que jornalistas possam noticiar mortes por suicídio sem causar mais problemas.

Acontece que tirar a própria vida pode ser algo “contagioso”, no sentido de que um suicídio pode incentivar outras pessoas a realizarem o mesmo ato, especialmente no caso de pessoas com depressão, ansiedade e diagnósticos similares.

No caso de Flavio Migliaccio, alguns veículos de mídia brasileiros, como o programa de TV “A Tarde é Sua”, apresentado pela jornalista Sonia Abrão, na RedeTV, estão sendo criticados por terem divulgado a carta deixada pelo ator antes de tirar a própria vida, bem como fotos de seu corpo.

A pandemia de coronavírus, que vem forçando as pessoas a ficarem isoladas em casa, já é considerada uma complicação para pessoas com tendências suicidas. Por isso, a OMS criou uma lista de 10 recomendações para jornalistas e veículos de mídia ao noticiarem suicídios.

São elas:

  • Evitar descrever o suicídio como inexplicável e esclarecer os sinais de alerta;
  • Evitar glorificar ou romantizar o ato do suicídio e tentar apresentar uma história equilibrada sobre a pessoa;
  • Evitar incluir o método, local ou detalhes da pessoa que faleceu e limitar as informações aos fatos que o público precisa saber;
  • Evitar retratar o suicídio como uma resposta aceitável às adversidades da vida;
  • Evitar títulos sensacionalistas;
  • Evitar gráficos e fotografias prejudiciais;
  • Evitar o uso de linguagem estigmatizante;
  • Não compartilhar o conteúdo de cartas suicidas;
  • Evitar citar a polícia ou as primeiras pessoas que presenciaram o ato;
  • Apresentar recursos sempre que possível, como o telefone de linhas de ajuda.

Buscando ajuda

O suicídio é um problema de ordem pública, fazendo com que muitos órgãos governamentais forneçam alternativas de ajuda para os que a procuram.

No Brasil, uma das opções é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento via chat ou telefone, em horários específicos, além de material de apoio. Mais informações sobre o serviço podem ser encontradas em cvv.org.br.

A família de Flavio Migliaccio já acionou a justiça contra os responsáveis pelo vazamento da carta e das fotos do ator. Apenas no continente americano, cerca de 81 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano.

As autoridades de saúde temem que esse número aumente durante a pandemia de coronavírus. A orientação é sempre buscar ajuda, em qualquer situação.



Discussão1 Comentário

  1. Isso é uma grande baboseira. Deixar de falar sobre suicídio e tratá-lo como tabu é apenas parte do problema. Esconder cartas de suicídio lúcidas como esta seria absurdo. A vida é sim sem sentido e o ator simplesmente percebeu isso. Passou a vida sonhando com um Brasil melhor, desde a época do Teatro Arena até hoje. E viu que seus sonhos foram todos perdidos, porque esse país falido é cheio de gente burra, e a epidemia do COVID está deixando a burrice do brasileiro escancarada. Nada do que ele acreditou na vida valeu a pena, porque ele acreditava justamente no futuro do Brasil.

    Isso acontece quando você é um otimista e acredita num futuro melhor para o país, ou acredita na humanidade, mas aí encontra a realidade, e vê que a natureza humana é uma merda mesmo. Ele não estava em depressão nem nada assim. Ele simplesmente chegou a uma conclusão lógica sobre a vida. A morte dele foi totalmente honrosa e justa.

    Psicólogos são especialistas numa pseudo-ciência. Mal conseguem definir aquilo que dizem ser especialistas. Psiquiatras são ainda pior, pois além de não entenderem o que dizem entender, medicam com drogas viciantes e perigosas, que podem muito bem fazer o problema das pessoas ainda pior.

    Vamos tratar o suicídio sem medo e sem vergonha. Viver é uma escolha. Se não vivemos por escolha, não vivemos de jeito nenhum. A porta permanece aberta.

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