Ivermectina: a história do remédio para gado e vermes que ganhou fama

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A ivermectina é uma droga conhecida que tem estado em evidência ao surgir como um “tratamento precoce” contra a Covid-19.

Sua eficácia contra o novo coronavírus não é confirmada pela ciência, mas ela é importante no tratamento de outras doenças, geralmente relacionadas a vermes e parasitas, tendo sido usada também no controle de doenças do gado.

A história da ivermectina começa em 1973, com a pesquisa do bioquímico japonês Satoshi Omura, que investigava a produção de moléculas por microrganismos presentes no solo.

Foi nesse ano que ele coletou uma amostra do solo de um campo de golfe próximo a Tóquio, onde detectou uma bactéria que produzia uma substância que tinha potencial no combate a vermes.

Em 1974, os estudos de Omura são continuados nos Estados Unidos e ainda na década de 70 era criada a ivermectina.

No entanto, antes de ser usada em humanos, durante quase 10 anos a droga foi administrada no controle de parasitas do sistema digestivo e da pele que afetavam o gado bovino. O remédio foi considerado “milagroso” por pecuaristas de todo o mundo, tamanha sua eficácia.

Só em 1987, após testes contínuos, a ivermectina seria aprovada para uso em humanos e o resultado foi tão espetacular quanto na medicina veterinária.

O medicamento foi usado para lidar com doenças sérias como a oncocercose, um parasita comum na África e na América Latina, geralmente ocorrendo em áreas ribeirinhas, que pode causar até cegueira.

A farsa do tratamento precoce

Desde o início da pandemia, a ivermectina e outras drogas têm sido testadas contra o novo coronavírus, em um processo comum chamado de reposicionamento de drogas, que visa utilizar medicamentos já conhecidos em novos tratamentos.

Embora os primeiros testes, realizados in vitro, tenham mostrado bom potencial, logo a ivermectina se provou ineficaz no combate à covid-19, infelizmente.

No entanto, com a divulgação em massa proporcionada pelas redes sociais, muita gente comprou a narrativa do teste inicial bem-sucedido, o que levou até mesmo a governos e órgãos de saúde adotarem essa e outras drogas numa espécie de “kit covid”, também chamado de tratamento precoce.

Esse tipo de tratamento não apenas não surge efeitos, como também pode provocar outros problemas.

Estudos já mostram que números de mortes em pacientes com covid-19 têm sido relacionados ao tal “tratamento precoce”, já que a ivermectina em doses maiores pode ocasionar danos ao fígado e até mesmo hepatite medicamentosa, entre outras enfermidades.



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