Olfato pode ajudar visitantes de museus a ‘viajar no tempo’; entenda

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Estamos acostumados a olhar para a história sempre de uma forma muito visual. No entanto, sentidos como o olfato podem tornar essa experiência diferente e ainda mais imersiva, como em museus, por exemplo.

É nisso que um grupo de cientistas trabalha no momento, tentando possibilitar que as pessoas consigam ter uma ideia não só de como era o passado, mas também do cheiro dele.

O projeto Odeuropa é financiado pela União Europeia e reúne historiadores de odores, perfumistas, químicos e até cientistas da computação, entre cerca de profissionais de 20 áreas.

O objetivo é descobrir e catalogar os cheiros mais importantes e definitivos do século 16 ao 20 e aplicar isso de uma forma que uma visita ao museu não seja apenas olhar, mas também sentir.

O resultado do projeto será uma Enciclopédia da Herança do Olfato, que vai reunir odores que muitas vezes são apenas descritos na literatura ou em outras fontes, mas que desapareceram com o tempo.

Quem espera que apenas perfumes e cheiros agradáveis serão incluídos, pode se surpreender com algumas das pesquisas, como a dos metais de uma fábrica na Inglaterra durante a Revolução Industrial.

O historiador holandês Inger Leemans é o coordenador do projeto Odeuropa. Ele comentou em entrevista a BBC sobre a importância de resgatar essas lembranças olfativas.

“Os cheiros moldam a nossa experiência de mundo, mas temos muito poucas informações sensoriais sobre o passado. Além disso, os cheiros são muito voláteis e tendem a ser esquecidos muito rápido. Portanto, precisamos pensar em como preservá-los, disse.

Cheiro de história

Uma das profissionais envolvidas no projeto é Caro Verbeek. Ela é historiadora e especialista em história sensorial e já desenvolveu um projeto envolvendo o olfato em obras de artes de museus nos Países Baixos.

Por meio de bastões com essências, os visitantes poderiam, por exemplo, saber como era o cheiro da Batalha de Waterloo, retratada no quadro de Jan Willem Pieneman, em 1824.

Verbeek explica que a experiência sensorial não só muda a forma de apreciar a arte e a história, como também torna tudo isso mais acessível para algumas pessoas, especialmente os deficientes visuais.

“A mudança dos cheiros nos dá uma herança frágil; não podemos imaginá-los. Agora é hora de capturá-los e reproduzi-los”, afirmou à BBC.



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