Agentes espionam quem sua demais ou vai muito ao banheiro em voos nos EUA

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Agentes aéreos monitoram secretamente uma parcela dos passageiros de voos nos EUA e reportam comportamentos considerados suspeitos, mesmo que o viajante não tenha qualquer ligação conhecida com terrorismo. A revelação de que passageiros que suam ostensivamente ou vão com frequência ao banheiro são alvos preferenciais de vigilância em voos despertou críticas por violação à privacidade.

Sob um sensível e até então não revelado programa chamado Quiet Skies, a Administração de Segurança de Transportes (TSA, em inglês) tem dado a agentes, desde 2010, a missão de identificar passageiros que apresentem alguma suspeita em razão de seu histórico de viagens ou outros fatores e conduz observações secretas de suas ações. A revelação foi feita pelo jornal Boston Globe.

Ao Washington Post, o porta-voz do TSA, James O. Gregory, ofereceu detalhes das origens e objetivos do programa, comparando-o a atividades policiais nas quais agentes monitoram de perto pessoas ou áreas vulneráveis. “Não somos diferentes dos policiais nas esquinas, colocados lá porque há uma grande possibilidade de algo acontecer”, disse Gregory. “Quando você está em um avião a 30 mil pés faz todo o sentido colocar alguém lá.” A TSA se recusou a fornecer informações completas sobre o programa.

Segundo a agência, o programa usa registros de viagens e outras informações para identificar passageiros que possam ser alvos de checagem adicional no aeroporto e observados no voo. A iniciativa levantou novas dúvidas sobre a privacidade de americanos comuns enquanto estão em alguma viagem de rotina dentro dos EUA.

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Gregory disse que o programa não elege passageiros-alvo com base em raça ou religião e não pode ser considerado de vigilância, porque a agência não executa atividades como ouvir as ligações dos passageiros ou seguir pessoas fora dos aeroportos. Contudo, nas observações durante os voos nos EUA de passageiros eleitos pelo Quiet Skies, os agentes usam um checklist da agência para registrar seu comportamento, se ela dormiu durante o voo, usou o celular, entre outros.

“O programa analisa as informações sobre os padrões de viagem de um passageiro, levando em conta todo o cenário”, disse Gregory. “Trata-se de uma linha adicional de defesa para a segurança aérea.” Ele não disse se o programa já levou à prisão de alguém ou ao flagrante de algum plano criminoso.

A TSA, criada logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, monitora cerca de dois milhões de passageiros por dia. A agência tem a missão de ajudar na segurança pública, e é muitas vezes criticada publicamente por ser intrusiva e abusiva nas checagens dos aeroportos, além de cometer falhas.

Em 2015, o inspetor geral do Departamento de Segurança Interna descobriu que agentes infiltrados foram capazes de passar bombas falsas pelas telas da TSA em cerca de 95% dos casos. A agência também tem sido criticada pelo tratamento dado a muçulmanos e outras minorias que reclamaram de terem sido marcados enquanto viajavam.

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