Cientistas brasileiras criam pão feito à base de farinha de baratas

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Um grupo de pesquisadoras brasileiras desenvolveu um produto pensando em uma possível crise de escassez de alimentos. Com uma farinha elaborada com baratas desidratadas, elas fizeram um pão e afirmam que o produto pode ser usado na elaboração de vários outros alimentos. As baratas são, obviamente, criadas em laboratório e próprias para o consumo humano.

Elaborada a partir das chamadas baratas cinéreas, espécie de origem africana e bem diferente das baratas comuns que circulam pelos esgotos, a farinha se mostrou não só eficaz no preparo do pão, mas também bastante nutritiva. O preparado com as baratas desidratadas tem 70% de proteínas, 20% a mais do que a carne bovina, por exemplo.

A engenheira de alimentos Andressa Jantzen da Silva Lucas, uma das pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG) responsáveis pelo projeto, explica que além do valor nutricional, a farinha feita com baratas possui vantagens vindas da genética do animal. “Alguma coisa muito boa elas possuem para passarem pela evolução sem precisar se adaptar aos ambientes”, disse.

Se a ideia parece ruim, pode ser melhor repensar o preconceito em relação aos alimentos feitos à base de insetos. É esperado que nos próximos 30 anos o aumento da população mundial cause uma escassez de alimentos e insetos como baratas, grilos, gafanhotos e outros são uma alternativa mais barata, nutritiva e com menos impacto ao meio ambiente.

Modo de fazer

As baratas para fazer o pão foram compradas de um criador certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Elas foram adquiridas já mortas e desidratadas, já que transportá-las vivas é um pouco mais caro e trabalhoso. O quilo das baratas está saindo por cerca de 200 reais.

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Já desidratadas, elas foram moídas e peneiradas para obter uma farinha mais uniforme. No preparo do pão, apenas 10% da quantidade de farinha foi substituída pela farinha de baratas. A alteração no sabor é mínima, provocando um leve gosto amendoado na massa, já em relação ao valor nutritivo, mesmo a pouca quantidade aumentou a qualidade do pão em 133% em relação a proteínas e outros nutrientes.



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