Cientistas estão perto de criar bebês a partir do sangue humano; entenda

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Cientistas japoneses garantem que estão perto de conseguir criar bebês a partir do sangue de mulheres, como forma de combater a infertilidade. E caso esse novo método dê certo, deve se tornar uma verdadeira revolução na reprodução humana.

O estudo sobre o caso acaba de ser publicado na renomada revista Science e foi liderado pelo pesquisador Michinori Saito, que passou os últimos anos trabalhando em um método para transformar células tronco em óvulos e espermatozoides. Tudo começou após a descoberta, a uma década, de que células da pele ou do sangue podem se reprogramar em células-tronco e se transformarem em qualquer tipo de tecido.

Neste experimento, Saito conseguiu criar células-tronco a partir de células do sangue humano e fez com que elas se transformassem em células reprodutivas consideradas primordiais.

Em seguida, Saito e sua equipe conseguiram manter essas células vivas por quatro meses após incubá-las em uma placa de petri com células dos ovários de ratos. Elas acabaram atingindo o estágio de ovogônia, precursores de células fecundadas que aparecem durante o primeiro trimestre de gravidez.

No entanto, é importante ressaltar que essas não são células maduras e não podem ser fertilizadas para criar um feto.

“Eu acho que esse é um passo muito importante, mas é um dos vários passos necessários antes que os óvulos e os espermatozoides produzidos por células-tronco se tornem ‘utilizáveis’. Esse é o passo mais longe que alguém deu com óvulos humanos, mas ainda não é um óvulo por completo”, disse Henry Greely, professor da Universidade de Stanford, nos EUA, e que não esteve envolvido com o projeto.

Muitos cientistas acreditam que essa já é uma questão não mais de “se”, mas sim de quando cientistas serão capazes de criar um óvulo maduro. Mas também já gera algumas preocupações. Por exemplo, o biólogo Toshi Shioda, da Universidade de Harvard, acredita que bebês criados dessa forma podem desenvolver câncer e outras doenças.

E também existem as preocupações éticas, como a reprodução de bebês sem a permissão da pessoa e a eliminação do relógio biológico de mulheres para fins reprodutivos.

De qualquer forma, Saito já revelou que o próximo objetivo é fazer o óvulo alcançar suas fases mais maduras. E mesmo levando em conta essas questões éticas, pode ser a solução para muitos casais que não conseguem ter bebês de forma natural.

“Se conseguirmos fazer isso, se funcionar e se for seguro, milhões de casais podem ter bebês de uma forma que não conseguem hoje em dia”, disse Henry Greely.



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