Em parceria, Brasil e Rússia vão monitorar lixo espacial

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O Laboratório Nacional de Astrofísica recebeu representantes da Agência Espacial Russa para assinatura de um acordo para monitoramento do lixo espacial. A parceria, cujo termo foi oficializado nesta quinta-feira (7), prevê a instalação de um telescópio no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG).

Os russos serão responsável pelo investimento, estimado em R$10 milhões. Em contrapartida, o Brasil oferecerá estrutura para operação do equipamento, além de arcar com os custos de energia, internet, entre outros.

A parceria faz parte da segunda etapa de uma pesquisa desenvolvida pela Rússia, que já tem em seu território um telescópio voltado para o mapeamento de lixo espacial. Havia, porém, a necessidade de encontrar um parceiro do hemisfério sul. As negociações com o Brasil avançaram e foi facilitada pela boa relação entre os dois governos, que já mantinham um acordo para utilização pacífica do espaço.

O Observatório do Pico dos Dias receberá telescópio russo para monitorar lixo espacial (Foto: Brasil.gov / divulgação)
O Observatório do Pico dos Dias receberá telescópio russo para monitorar lixo espacial (Foto: Brasil.gov / divulgação)

O Observatório do Pico dos Dias, situado a cerca de 1,8 mil metros de altitude, também atraiu os russos. “O objetivo é que os telescópios no Brasil e na Rússia fiquem em uma posição em que possam fazer imagens complementares. A nossa localização traz essa possibilidade, além de termos um céu que favorece a observação”, explica Bruno Castilho, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica.

O que é lixo espacial?

O lixo espacial é composto por uma série de objetos que seres humanos criam e colocam em órbita ao redor do planeta, mas que já não têm mais utilidade. Podem ser peças pequenas, como ferramentas, ou grandes, como satélites desativados.

Jogado na órbita, o lixo espacial cria um congestionamento e pode causar acidentes graves, seja no espaço ou na reentrada desses detritos na atmosfera.

Esfera pressurizada derivada do corpo de um foguete, que caiu no sudeste da África (Foto: Wikimedia / divulgação)
Esfera pressurizada derivada do corpo de um foguete, que caiu no sudeste da África (Foto: Wikimedia / divulgação)

Lixo espacial interfere em lançamento de satélites

Considerar os percursos do lixo espacial é de vital importância para lançar satélites. Bruno Castilho, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica, revela que, segundo estimativas da Nasa, cerca de 50 mil restos de satélites e foguetes orbitam ao redor da Terra.

“É um dado que considera apenas peças grandes, porque há também uma infinidade de lixos menores, que chegam a ser do tamanho de uma bola de tênis. O problema é que tudo isso viaja a muitos quilômetros por hora e o impacto com um satélite pode ser destruidor, levando a um prejuízo financeiro e temporal enorme para a ciência”, diz Castilho.

Como funciona hoje em dia?

Atualmente, quando o Brasil vai colocar em órbita um novo equipamento, é necessário seguir recomendações da Nasa. No entanto, a agência dos Estados Unidos não fornece informações detalhadas.
Com os dados que serão gerados através do acordo com a Rússia, o Brasil passará a deter um conhecimento que permitirá escolher melhor órbitas que não ofereçam riscos. Além disso, será possível prever a possibilidade de algum lixo espacial cair em solo terrestre.

Pesquisa brasileira

Vinculado ao Ministério da Inovação, Ciência e Tecnologia, o Laboratório Nacional de Astrofísica é uma unidade de pesquisa que opera desde 1985. Sediado em Itajubá (MG), seu objetivo é oferecer à comunidade científica serviços sofisticados para o desenvolvimento de estudos aprofundados.

Entre suas estruturas está o Observatório do Pico dos Dias, que já tinha o maior telescópio funcionando até então em solo brasileiro. Equipamento que será superado pela tecnologia russa.

Com 75 cm de abertura, o novo telescópio terá um campo de visão mais abrangente e será capaz de mapear uma área maior que qualquer outro no Brasil. A previsão é que comece a operar em novembro, o que trará também um importante ganho para a ciência nacional. As imagens geradas pelo equipamento, além de ajudar a mapear o lixo espacial, poderão favorecer estudos sobre asteroides, cometas, estrelas, etc.

Todos os dados e fotos ficarão disponíveis para os pesquisadores brasileiros. Os interessados precisarão apenas fazer uma requisição ao Laboratório Nacional de Astrofísica. “Poderemos observar detalhes que antes não estavam ao nosso alcance”, disse Castilho.

Fonte parcial: Agência Brasil

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