‘Invasão alienígena’ de Orson Welles: a população acreditaria nessa história de novo?

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Há 80 anos, no dia 30 de outubro, véspera de Halloween, o ator Orson Welles, que se consagrou por sua participação no filme Cidadão Kane, fez sua famosa encenação em uma rádio em que afirmava que a Terra estava sendo invadida por alienígenas, o que faz a população americana entrar em pânico. Mas afinal, essa invasão alienígena de Orson Welles funcionaria nos dias hoje?

O ator fez uma dramatização do famoso livro Guerra dos Mundos, escrito pelo autor H.G. Wells e fazia parte de uma série semanal de transmissões dramáticas de um famoso teatro de Nova York.

No entanto, vale lembrar que graças a décadas de estudos espaciais feitos após a transmissão da invasão alienígena de Orson Welles, todos já sabemos que Marte não é lar de uma civilização alien com tecnologias mais avançadas que as nossas. E apesar de nosso fascínio com seres de outro mundo, um anúncio semelhante teria, com certeza, uma resposta bem diferente que a invasão alienígena de Orson Welles.

Durante a transmissão de rádio, um ator que interpretava um âncora de jornal interrompeu a transmissão da rádio para anunciar que cientistas viram, em telescópios, três explosões em Marte. Outros atores interpretaram pessoas que teriam visto OVNIs voando sobre a cidade de Princeton, em Nova Jérsei, e que um raio dessas naves teria matado várias pessoas.

Por mais que a transmissão lembrasse aos ouvintes que se tratava apenas de uma encenação, muitas pessoas acabaram caindo na história, o que gerou uma onda de pânico pelos Estados Unidos durante uma hora. O negócio foi tão feio que foi parar nas manchetes dos jornais no dia seguinte.

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“Centenas de ouvintes saíram de suas casas em Nova York e Nova Jérsei, com toalhas em volta do rosto, para se protegerem do ‘gás’ que os invasores estavam soltando”, disse o jornal Daily News.

Só que apesar de muitas pessoas terem acreditado nessa história da invasão alienígena de Orson Welles, os cientistas da época já sabiam que Marte não era capaz de ter uma civilização de alienígenas inteligentes, segundo Seth Shostak, astrônomo do Search for Extraterrestrial Intelligence Institute (SETI, ou “Instituto de Procura de Inteligência Extraterrestre”, em tradução direta).

“Com certeza, no final dos anos 30, ninguém acreditava. Já era um conhecimento crescente entre os astrônomos: Marte tinha uma atmosfera fina, não tinha muito oxigênio e ninguém havia visto água líquida em sua superfície”, disse Shostak.

Já nesta época, cientistas sabiam que se nós temos vida inteligente em outros planetas, não seria em Marte ou até mesmo dentro do nosso Sistema Solar.

Alienígenas micróbios, e não monstros

Um ataque militar por parte de alienígenas teria de envolver não apenas seres que são inteligentes e mais avançados, tecnologicamente, que nós, mas eles também precisariam saber da existência dos seres humanos e como viajar por nosso Sistema Solar, relatou Michael Wall, autor de livros sobre esse assunto.

E pra falar a verdade, a possibilidade mais aceita até o momento é que se nós descobrirmos vida alienígena algum dia, devem se tratar de seres microscópicos, como micróbios, que devem ser muito mais comuns do que organismos inteligentes, complementou Wall.

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O autor ainda acredita que um eventual anúncio da descoberta de vida alienígena, mesmo que microbial, deve causar muito mais fascínio na população do que pânico.

Ainda assim, por mais que micróbios sejam os primeiros alienígenas que podemos encontrar um dia, a possibilidade de detectar alguma transmissão de seres inteligentes não deve ser descartada, de acordo com Seth Shostak.

“Escutando” as alienígenas

O SETI costuma realizar detecções diárias de qualquer sinal de rádio que pode ser enviado por alguma forma de vida inteligente. E por mais que seres de outro mundo ainda estejam, provavelmente, no estágio microscópico, formas de vida que tem inteligência podem estar enviando sinais a partir de distâncias enormes.

“Micróbios podem produzir oxigênio para a atmosfera. Mas vidas inteligentes podem criar lasers gigantes ou transmissores de rádio, então podemos escutá-los de grandes distâncias”, disse Shostak.

Ainda segundo o astrônomo, o SETI, além de ter equipamentos para detectar possíveis ondas de rádio, também está construindo um aparelho para procurar possíveis sinais enviados a partir de raios laser. E ainda precisamos torcer para que os aliens mirem na direção correta. Mas Shostak já disse estar confiante que isso deve acontecer mais cedo que imaginamos.

Um primeiro encontro com alienígenas que são apenas micróbios ou via sinais de rádio ou raios laser, com certeza, será muito menos assustador do que a invasão alienígena de Orson Welles, que envolvia criaturas com tentáculos colocando fogo em nossas cidades.

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Após a transmissão, Welles, ciente do que aconteceu, disse que não tinha ideia que a brincadeira tomaria essas proporções e emitiu um pedido de desculpas no jornal The Daily Princetonian no dia 1º de novembro de 1938.

Fonte: Live Science



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