Como moscas-varejeiras libertaram uma mulher da prisão

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As moscas-varejeiras são indesejadas por muitas pessoas, especialmente se você está fazendo alguma refeição. No entanto, uma mulher americana chamada Kirstin Blaise Lobato tem e muito a agradecer a elas, que ajudaram a libertá-la da prisão após ser equivocadamente condenada por um homicídio. Entenda mais abaixo.

Em 8 de julho de 2001, um mendigo foi brutalmente assassinado em um depósito de lixo na famosa Strip de Las Vegas. Ele foi esfaqueado diversas vezes e seu reto e pênis foram cortados pelo assassino. Seu corpo foi encontrado pouco depois das 10 da noite.

Lobato foi considerada a única suspeita do homicídio por que um mês antes, outro homem tentou estuprá-la e ela usou um canivete para se defender. Além disso, ela chegou a cortar o pênis do agressor. Como o órgão genital do mendigo foi removido, a polícia local logo procurou pela jovem, que tinha 18 anos na época, e a indiciou pelo crime.

Em 2002, a jovem foi condenada pelo assassinato e por ter penetrado sexualmente um corpo morto, apesar da falta de evidências físicas que a ligassem ao assassinato. No entanto, ela foi julgada novamente em 2006, após um patologista mudar a hora da morte do mendigo, que teria ocorrido 14 horas antes da descoberta do corpo. Anteriormente, acreditava-se que um dia se passou após a descoberta do cadáver. Mesmo assim, Lobato foi novamente condenada pelo crime.

Tudo mudou alguns anos depois, justamente por conta das moscas-varejeiras. Elas são consideradas as primeiras testemunhas de um crime por peritos forenses, já que elas são atraídas pelo corpo logo após sua morte, se as condições são apropriadas. O motivo é que os ferimentos são um local ideal para o depósito de seus ovos, já que as larvas se alimentam de proteínas líquidas.

No entanto, existia um problema: não existiam evidências de que moscas-varejeiras estiveram no local do crime.

Como era verão nos Estados Unidos no dia em que o crime ocorreu, essas eram condições perfeitas para a presença das moscas-varejeiras no cadáver, que hibernam durante o outono e inverno. Além disso, se o corpo estiver enrolado em um lençol ou plástico, isso irá afastar os insetos, o que não era também o caso, sem contar o fato que eles são diurnos.

Ou seja, se alguém morrer durante a noite, o corpo não será colonizado pelas moscas-varejeiras até o início do dia. A única explicação para este caso, então, era a de que o mendigo foi morto após o pôr-do-sol.

Apenas em 2017 que Lobato, com a ajuda de um projeto que visa libertar pessoas que foram condenadas equivocadamente, pôde ser julgada novamente. Com a contribuição de três especialistas forenses, ela conseguiu comprovar que a morte do mendigo ocorreu durante a noite, sendo que ela tinha um álibi a seu favor.

Dez dias depois, o juiz considerou Lobato inocente e removeu todas as acusações contra ela. Tudo por conta da ajuda das moscas-varejeiras.



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