Será que os animais costumam assassinar outros da própria espécie?

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Assista a um programa de TV sobre vida de animais e, no mínimo, você verá uma cena onde um animal acaba matando o outro, como um urso tentando pegar um peixe com a boca ou uma chita tentando caçar um antílope. Só que essa vida no reino animal vai muito além da luta entre diferentes espécies: também é muito comum o assassinato ou morte intencional de animais da própria espécie.

Entre os insetos e aracnídeos, por exemplo, é muito comum o canibalismo sexual – isso é, a fêmea que se alimenta do macho antes, durante ou depois do acasalamento – e ele ocorre em diversas espécies diferentes, como o Louva-a-deus-chinês e a Viúva Negra. Sabe-se também que em algumas espécies de tubarão, é comum que embriões se alimentem de seus irmãos, enquanto ainda estão dentro do útero da mãe.

Mas, claro, o assassinato de animais nem sempre envolve alimentação.

Diversas espécies de peixes, como os ciclídeos e os bettas, são conhecidas por serem extremamente territoriais quando se tornam adultos, e costumam atacar e, algumas vezes, matar outros peixes que apareçam em seu território.

E por todo o reino animal, batalhas para encontrar um companheiro são muito comuns e podem ocasionar mortes. Os machos de algumas espécies de beija-flores costumam “apunhalar” o outro durante certas lutas.

Mas em alguns casos, esse duelo não passa de uma competição sexual, onde o animal pode, potencialmente, matar o companheiro. Por exemplo, uma espécie de sapo, muito comum nos EUA e Canadá, podem se agrupar em cima de uma fêmea na água, causando seu afogamento.

Mas se você realmente quer evidências de assassinato, basta apenas olhar para nós, mamíferos.

Em 2016, pesquisadores espanhóis analisaram informações de mais de 4 milhões de mortes entre 1024 espécies de mamíferos, incluindo os humanos.

Se você levar em conta que ocorreram quase 16 mil assassinatos nos Estados Unidos em 2015, segundo dados do FBI, e os diversos motivos que levam uma pessoa a matar a outra, seria fácil imaginar que o Homo sapiens sapiens é a espécie que mais mata outros de seu próprio tipo. Mas por incrível que pareça, nós não estamos nem entre os 30 primeiros.

A pesquisa também revelou que um certo número de espécies, que aparentam ser tranquilas e pacíficas, também são surpreendentemente assassinas. Chinchilas, esquilos, cavalos selvagens e veados aparecem entre os 50 primeiros, por exemplo.

A espécie mamífera que mais mata? Os suricatos. Aproximadamente 20% dos suricatos encontram seu fim nas mãos (ou melhor, dentes) de outros da mesma espécie.

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No geral, menos da metade das espécies estudadas matam animais de seu próprio tipo. E um grupo mamífero se sobressaiu aos demais por ser particularmente assassino: os primatas, que possuem oito vezes mais chances de matar membros de sua própria espécie do que os demais bichos da mesma classe.

No entanto, essa análise possui uma grande ressalva: as circunstâncias dos assassinatos são bem diferentes entre os humanos e o resto dos mamíferos.

A maior parte dos assassinatos de mamíferos envolve o infanticídio, ou a morte de bebês. Na sociedade dos suricatos, por exemplo, as fêmeas dominantes costumam matar, até com certa frequência, os filhotes das subordinadas do grupo.

Os humanos fazem parte de um pequeno grupo de animais, que também incluem lobos, leões e hienas, que matam, rotineiramente, adultos de sua própria espécie. E dentro dele, nós nos sobressaímos. “Os humanos são realmente excepcionais (nesse quesito)”, disse o antropologista Richard Wrangham, da Universidade de Harvard.

Fonte: LiveScience

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