Assim como Facebook, Google também tinha app para espionar celulares

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No fim do mês passado, foi revelado que o Facebook burlava as regras da App Store, da Apple, para monitorar os celulares de pessoas entre 13 e 35 anos em troca de vale-compras. Porém, a empresa de Mark Zuckerberg não era a única. Segundo o site TechCrunch, o Google também violou as regras da Apple para ter amplo acesso aos dados de donos de iPhones – alguns com 13 anos de idade.

O programa de monitoramento do Google ocorria desde 2012 por meio de um aplicativo chamado Screenwise Meter. Com ele, as pessoas ganhavam vale-compras para deixar a gigante espiar o tráfego e os dados do aparelho – inicialmente, pessoas a partir dos 13 anos poderiam participar.

Mais tarde, o Screenwise Meter tornou-se parte do Google Opinion Rewards, que premia usuários por instalar ferramentas de monitoramento em dispositivos como celular, roteador, PC e TV.

Como funcionava

Nesse estágio, o app convidava pessoas a partir de 18 anos a participar, mas mantinha a possibilidade de pessoas a partir dos 13 anos desde que estivessem um adulto também participasse. O programa também tinha um “modo convidado” para quando menores de 13 anos usassem o telefone – ou caso o dono do aparelho não quisesse ser monitorado.

Além de invasivo, o “app espião” só podia ser instalado com uma rotina específica, liberada pela Apple para desenvolvedores internos – mesma situação do caso do Facebook. Esse procedimento depende de certificados que permitem que desenvolvedores instalem versões diferentes de apps nos seus iPhones.

A certificação também permite ampla distribuição dos programas entre os funcionários. Porém, esse certificado era para ser usado pelo Google junto apenas de seus funcionários. Não era para distribuir ou permitir a instalação de apps por pessoas aleatórias de fora da companhia. De acordo com a reportagem, o Google ensinava o usuário a instalar o certificado, burlando as regras da Apple.

No caso do Facebook, a Apple revogou os certificados da empresa, o que resultou no bloqueio de diversos apps da empresa, como versões de teste do Facebook, do WhatsApp, do Instagram e do Messenger.

A revogação de certificados não faz com que os apps apenas parem de ser distribuídos, mas também com que parem de funcionar. Se a Apple considerar que o Google violou o contrato entre as duas, o mesmo poderia acontecer com a gigante das buscas – é comum na indústria que uma empresa use o mesmo certificado para vários de seus apps. O processo de desenvolvimento poderia ser afetado.

Resposta do Google

Após a revelação do caso, o Google disse que vai remover o Screenwise Meter do programa de certificados para desenvolvedores da Apple. A versão do app para iOS também será desabuilitada. Em um comunicado ao TechCrunch, o Google afirmou que Screenwise Meter não deveria ter sido incluso no programa de certificados. “Foi um erro e nos desculpamos”, diz o documento.

“Esse app é completamente voluntário e sempre foi. Fomos claros com os usuários sobre como usamos os seus dados no app, não temos acesso a dados criptografados nos apps e nos dispositivos, e os usuários podem sair do programa a qualquer momento,” completa a empresa.

Pecado original

O projeto do Facebook oferecia desde 2016 vale-compras nos EUA e na Índia para quem instalasse o app Facebook Research no iOS e no Android – o programa, então, era capaz de ver mensagens privadas em redes sociais, mensagens trocadas por apps, bem como buscas e atividades de navegação.

Com essas informações, o Facebook tomava decisões sobre a implantação de novas ferramentas em sua plataforma e até a compra de empresas emergentes que estivessem ganhando popularidade.

Uma das coisas que chamou a atenção na reportagem do TechCrunch é o fato de que o Facebook praticamente reutilizou a infraestrutura e o código do app Onavo, aplicativo banido da loja de aplicativos oficial da Apple em agosto do ano passado por permitir acesso total aos dados do smartphone.

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